China adota retaliação comercial contra Japão

Em meio a disputa territorial, Pequim cancela venda de minérios à indústria[br]japonesa, diz 'NYT'

Cláudia Trevisan CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

A China suspendeu a exportação para o Japão de alguns minerais raros utilizados como matéria-prima na fabricação de diversos produtos industriais e militares, incluindo carros híbridos, turbinas eólicas e mísseis teleguiados, diz reportagem publicada ontem pelo jornal americano The New York Times.

Pequim controla 90% do suprimento mundial desses minerais, conhecidos como "terras raras", essenciais para a indústria de alta tecnologia do Japão. Segundo o jornal americano, a decisão é uma retaliação contra a prisão do capitão de um barco pesqueiro chinês pela Guarda Costeira japonesa em águas disputadas pelos dois países.

Oficialmente, o porta-voz do Ministério do Comércio da China negou a informação, mas a medida teria sido adotada de maneira não oficial, por meio de orientação dada aos funcionários chineses da alfândega.

A suspensão oficial das exportações permitiria que o Japão apresentasse queixa contra a China na Organização Mundial do Comércio (OMC).

Escalada. A decisão representaria a mais grave medida da China contra o Japão desde o início da crise, no dia 7. O premiê chinês, Wen Jiabao, afirmou na terça-feira que seu governo adotaria retaliações contra o Japão, caso o país não libertasse de modo imediato e incondicional o capitão preso nas imediações das ilhas disputadas pelos dois países - conhecidas como Diaoyu, em chinês, e Senkaku, em japonês.

"O lado japonês ignorou as numerosas e sérias representações da China, portanto, a China não tem outra opção a não ser adotar as retaliações necessárias", disse Wen, sem especificar a quais medidas se referia. Pequim declarou que considera a prisão ilegal e sustenta ter soberania sobre as ilhas. O Japão não se manifestou ontem sobre a retaliação.

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