Lam Yik Fei/The New York Times
Lam Yik Fei/The New York Times

China acusa 'reportagem falsa' sobre instabilidade do governo em Hong Kong

Agência Reuters apurou que Pequim articula demissão do diretor de escritório para estreitar relações com o território semiautônomo, após fracasso de candidatos pró-China nas eleições locais

Redação, O Estado de S.Paulo

26 de novembro de 2019 | 22h09

PEQUIM - O Partido Comunista da China advertiu a agência Reuters nesta terça-feira, 26, no que foi chamado pelos políticos de uma "reportagem falsa" sobre a suposta intenção de substituir o líder do escritório governamental de união com Hong Kong por ter falhado em prever a derrota de candidatos pró-Pequim nas eleições locais para os conselhos distritais no fim de semana. 

A Reuters informou nesta terça que a liderança chinesa havia instalado um centro de controle de crise em um condomínio de luxo nos arredores de Shenzhen, cidade próxima à fronteira com Hong Kong, para lidar com a agitação política, que já dura seis meses no território semiautônomo.  

A matéria relatava que Pequim considerava substituir o funcionário mais experiente em Hong Kong, o diretor Wang Zhimin, pela insatisfação com a maneira que ele lidou com a crise. 

O gabinete do Ministério das Relações Exteriores chinês em Hong Kong revidou nesta terça, afirmando que perpretou "representações solenes" contra a agência de notícias sobre a "reportagem falsa". Também afirmou que havia incitado a agência "a apoiar um atitude verdadeira, profissional e responsável, e imediatamente parar de espalhar informação falsa". 

Desde o início das manifestações pró-democracia, em junho, o ministério insiste que a agitação política no território é um assunto doméstico e que a China nunca acabará com o acordo de "um país, dois sistemas" que regrou a devolução do território aos chineses, feita pelos britânicos, em 1997. 

Ainda de acordo com a reportagem da Reuters, o presidente Xi Jinping e outros oficiais veteranos estariam recebendo relatórios diários no condomínio, chamado de Bauhinia, em homenagem ao emblema de flor da bandeira de Hong Kong. 

A governante de Hong Kong, apoiada pela China, Carrie Lam, também teria participado em reuniões no condomínio, de acordo com a reportagem. 

Os líderes chineses aparentam estar irritados sobre como lidar com a crise em Hong Kong, avaliam analistas, após a opinião pública ter piorado em relação a Pequim com milhares de detenções feitas no último mês, inclusive de candidatos vencedores nas eleições locais. 

Após ter se recusado repetidamente a abrir concessões, a China se encontra com poucas opções. "Eu não acho que eles vão mudar a estratégia", disse Jeff Wasserstrom, um professor da Universidade da Califórnia e autor de um livro que ainda será lançado, sobre a crise política em Hong Kong. "Não vejo nenhum motivo para acreditar que eles vão fazer qualquer concessão".       

Nesta terça, na primeira declaração pública desde a eleição, Lam se recusou a oferecer concessões aos manifestantes, que pedem uma investigação independente para apurar a violência policial, sufrágio universal e outras medidas. Lam afirmou que Pequim não a responsabiliza pela rejeição dos eleitores a partidos pró-Pequim.  

O escritório governamental para união em Hong Kong serve para propagar a influência da China no território, reportar avanços políticos e formar uma rede de negócios com grupos de empresários e influenciadores locais. 

Manifestantes em Hong Kong jogaram ovos e tinta no prédio do escritório e estragaram o emblema chinês na entrada do local. / W. POST

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