China adverte Irã contra a fabricação de armas nucleares

Premiê chinês diz a Ahmadinejad que impasse sobre programa iraniano deve ser resolvido pela diplomacia

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

07 de junho de 2012 | 04h23

A China se opõe a que qualquer país do Oriente Médio possua armas nucleares, disse ontem o primeiro-ministro Wen Jiabao ao presidente iraniano, Mahmoud Ahmadinejad, durante encontro em Pequim. Mas o líder chinês ressaltou que o impasse em torno do programa nuclear de Teerã deve ser resolvido por meio de "canais diplomáticos e de maneira imparcial", segundo a agência oficial de notícias Xinhua.

Os EUA e outros países ocidentais ameaçam impor novas sanções econômicas contra o Irã, caso negociações internacionais não levem a limitações das ambições nucleares do país. Na avaliação de Washington e seus aliados, a intenção de Teerã é produzir armas nucleares. O governo da república islâmica refuta a acusação e sustenta que seus propósitos são pacíficos. Na quarta-feira, China e Rússia já haviam divulgado uma declaração conjunta na qual defendiam a resolução negociada do impasse e rejeitavam o uso ou a "ameaça" de uso da força.

Ahmadinejad e o presidente russo, Vladimir Putin, estão em Pequim para participar de encontro da Organização de Cooperação de Xangai. Além de China e Rússia, a entidade reúne Casaquistão, Quirguistão, Tajiquistão e Usbequistão e tem Irã, Mongólia, Paquistão e Índia como observadores plenos.

A próxima rodada de negociações internacionais em torno do programa nuclear iraniano ocorrerá nos dias 18 e 19 em Moscou, com a presença de representantes do Irã, dos EUA e de outras cinco potências mundiais - China, Rússia, França, Grã-Bretanha e Alemanha. Essa será a terceira rodada de conversas do grupo, que se encontrou no mês passado em Bagdá, mas não avançou.

Hoje, o embaixador iraniano, Ali Asghar Soltanieh, se encontrará em Viena com representante da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) para discutir a possibilidade de retomada de inspeções do país. Ligada à ONU, a organização pretende visitar uma área militar na qual o Irã supostamente realizou testes nucleares. O acesso foi até agora negado pelas autoridades de Teerã. "Infelizmente, a agência, que supostamente deveria ser uma organização internacional técnica, está de alguma maneira atuando como uma agência de inteligência", declarou Soltanieh ontem.

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