China afirma que tensões políticas colocam em risco cooperação climática com os EUA

China afirma que tensões políticas colocam em risco cooperação climática com os EUA

O chanceler chinês Wang Yi classificou os esforços dos dois países contra o aquecimento global como um 'oásis' que pode ser 'desertificado muito em breve'; fala ocorreu durante um encontro virtual com enviado especial para o Clima dos EUA

Redação, O Estado de S.Paulo

02 de setembro de 2021 | 01h57

XANGAI - O chanceler chinês Wang Yi afirmou que as tensões políticas entre China e Estados Unidos podem minar os esforços dos dois países no combate às mudanças climáticas. A declaração ocorreu em uma reunião virtual nesta quarta-feira, 1º, entre o diplomata e o enviado especial para o Clima dos EUA, John Kerry. 

Em sua fala, o ministro chinês das Relações Exteriores pontuou que a cooperação para combater o aquecimento global foi um “oásis” na relação entre as duas nações. Líderes da lista de países que mais emitem gases de efeito estufa, China e EUA protagonizam desde 2007 uma guerra comercial

“Ao redor do oásis, porém, há um deserto, e o oásis pode ser desertificado muito em breve”, alertou. “A cooperação climática China-EUA não pode ser separada do ambiente mais amplo das relações entre os (dois) países.” 

Em resposta, Kerry afirmou que Washington continua empenhado em trabalhar com outras nações para enfrentar a crise climática. Segundo um comunicado do Departamento de Estado americano, o enviado especial também instou Pequim a tomar novas medidas para reduzir as emissões. 

O diálogo faz parte da tentativa americana de retomar a liderança da diplomacia climática global após um hiato de quatros anos, resultado do governo Trump. O ex-presidente, entre uma série de outras medidas tomadas ao longo de sua gestão, retirou o país do Acordo de Paris, que chegou a descrever como uma “conspiração global”

Em viagem à China para discutir a resposta conjunta dos países à crise climática, o enviado americano está na cidade de Tianjin, no norte do país, onde deve se reunir com o enviado especial do Clima chinês, Xie Zhenhua. 

Esse é o segundo encontro entre os representantes. O primeiro ocorreu em abril deste ano, em Xangai. 

Observadores internacionais esperam que as negociações levem a promessas mais ambiciosas de ambos as nações para combater as emissões de gases de efeito estufa. 

"O G2 (China e Estados Unidos) precisa perceber que, além de seu oásis e deserto bilateral, todo o planeta está em jogo", disse o conselheiro do Greenpeace, Li Shuo, à Reuters

“Se eles não fizerem um progresso rápido o suficiente, em breve tudo se tornará deserto”, acrescentou./REUTERS

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.