REUTERS/Yew Lun Tian
REUTERS/Yew Lun Tian

China alerta para 'nova Guerra Fria' com os EUA por pandemia

Ministro chinês falou em 'vírus político' nos Estados Unidos e que americanos estão difamando a China

Redação, O Estado de S.Paulo

24 de maio de 2020 | 10h53

PEQUIM - Autoridades da China disseram neste domingo, 24, que as relações com os Estados Unidos estão "à beira de uma nova Guerra Fria" e que foram prejudicadas ainda mais pela pandemia de covid-19

No domingo, o ministro das Relações Exteriores chinês, Wang Yi, disse que Washington se infectou com um "vírus político" que aproveita "todas as oportunidades para atacar e difamar a China".

A pandemia, que já causou mais de 342 mil mortes e deixou mais de 5,3 milhões de doentes em todo o mundo, exacerbou as relações já tensas entre a China e os Estados Unidos, e as duas potências continuam a lançar ataques verbais. 

"Algumas forças políticas nos Estados Unidos estão fazendo as relações entre China e Estados Unidos como reféns e levando nossos dois países à beira de uma nova Guerra Fria", disse o chanceler. "Alguns políticos ignoraram os fatos mais básicos e inventaram muitas mentiras sobre a China e planejaram muitas conspirações", acrescentou. 

A China e os Estados Unidos também precisam começar a coordenar políticas para suas respectivas economias, bem como para a economia mundial, acrescentou. “Não perca mais tempo precioso e não ignore vidas. O que a China e os Estados Unidos mais precisam fazer é primeiro aprender um com o outro e compartilhar sua experiência na luta contra a epidemia, e ajudar cada país a combatê-la", afirmou. 

Wang também acusou os políticos americanos de "espalhar boatos" para "estigmatizar a China", onde o novo coronavírus surgiu no final do ano passado. O ministro afirmou que o país está aberto à cooperação internacional para identificar a origem do vírus mortal. Essa cooperação deve ser "profissional, justa e construtiva" e sem "interferência política", enfatizou. 

A China continua preparada para trabalhar com os Estados Unidos no espírito de cooperação e respeito mútuo, disse Wang, quando perguntado se as relações sino-americanas piorariam ainda mais.

Nas últimas semanas, o presidente Donald Trump acusou repetidamente as autoridades chinesas de terem demorado para comunicar dados cruciais sobre a gravidade da doença. Os Estados Unidos são de longe o país mais atingido pela pandemia, com 1,6 milhão de casos e 97 mil mortes. 

No entanto, o estado de Nova York, foco da epidemia, registrou 84 mortes nas últimas 24 horas, o número mais baixo desde 24 de março, anunciou o governador Andrew Cuomo.  Trump, que quer flexibilizar o confinamento e reativar a economia, fez um gesto no sábado para marcar um retorno à normalidade e foi jogar golfe em seu clube na Virgínia, perto de Washington, pela primeira vez desde 8 de março. / AFP

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