China amplia repressão a protestos na Mongólia

Governo decreta toque de recolher e controla universidades após atos contra morte de líder de pastores mongóis

Cláudia Trevisan, O Estado de S.Paulo

31 de maio de 2011 | 00h00

CORRESPONDENTE / PEQUIM

O governo chinês aumentou a segurança, impôs toque de recolher e passou a controlar a saída de estudantes das escolas e universidades nas principais cidades da Mongólia Interior, depois dos protestos, na semana passada, contra o que os manifestantes consideram desrespeito dos direitos dos mongóis pelos chineses da etnia han.

É o mais recente caso de tensão étnica do país, que já enfrenta problemas no Tibete e em Xinjiang. O estopim foi a morte de um líder de pastores mongóis, atropelado e morto no dia 11 por um caminhão de transporte de carvão conduzido por um han. Manifestantes dizem que o crime foi premeditado.

Como muitos mongóis, o pastor era conhecido apenas por um nome, Mergen, e participava de um piquete para tentar impedir a passagem dos caminhões por pastagens da região.

A Mongólia Interior é a principal fonte de carvão da China, produto que responde por quase 70% da matriz energética do país. Os pastores sustentam que sua exploração beneficia principalmente os han. O tráfego de caminhões ainda leva à morte de animais e à destruição de pastagens. Muitos veículos optam por atalhos fora das estradas, para reduzir custos e ganhar tempo.

Os han representam 79% da população de 24 milhões de pessoas da região e os mongóis, 17%. Os restantes 4% são integrados por outras etnias.

Em resposta aos protestos, o governo anunciou ontem que o motorista que atropelou Mergen será julgado por homicídio. Na sexta-feira, o secretário-geral do Partido Comunista na Mongólia Interior, Hu Chunhua, reuniu-se com estudantes e professores e afirmou que qualquer pessoa suspeita de cometer crimes será levada à Justiça, mas não fez referências explícitas ao caso de Mergen.

As informações sobre os protestos têm sido divulgadas pela Southern Mongolian Human Rights Center, entidade com sede em Nova York criada por exilados mongóis. Segundo a organização, houve choques entre a polícia, estudantes e pastores que saíram às ruas para protestar contra os supostos privilégios dos han. Além de aumentar a presença policial e militar na região, o governo também intensificou a censura na internet. Posts ou buscas que tivessem palavras relacionadas aos protestos foram bloqueadas. A internet via celular também foi suspensa.

Maioria

79%

da população de 24 milhões da Mongólia Interior é composta por chineses da etnia han

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