EFE/ Anthony Wallace
EFE/ Anthony Wallace

China ampliará acesso de investidores estrangeiros ao setor financeiro do país

Na quinta-feira, Donald Trump se reuniu com Xi Jinping em Pequim e pediu condições ‘mais equitativas’ às empresas americanas; companhias de outros países poderão agora ter até 51% das ações de projetos conjuntos em setores como valores, fundos e futuros

O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2017 | 10h23

PEQUIM - A China anunciou nesta sexta-feira, 10, que ampliará o acesso dos investidores estrangeiros a associações empresariais para entrar no setor financeiro, informou a agência oficial de notícias Xinhua. O anúncio foi feito após visita de Estado do líder americano, Donald Trump, que pediu uma maior abertura para as empresas de seu país para reduzir o déficit comercial com a China.

+ Trump chega ao Vietnã para cúpula da Apec e diz que ‘não tolerará’ relações comerciais injustas

As empresas estrangeiras poderão ter até 51% das ações de projetos conjuntos em setores como valores, fundos e futuros, segundo o vice-ministro das Finanças, Zhu Guangyao citado pela Xinhua. Em três anos, esse limite deverá ser eliminado.

+ Trump dribla 'Grande Firewall' da China para tuitar sobre viagem a Pequim

Também serão suspensas as proibições de acesso dos investidores estrangeiros aos bancos chineses e à administração de ativos financeiros, informou Zhu, sem apresentar um calendário.

As restrições drásticas ao setor financeiro chinês são muito criticadas por Bruxelas e Washington. Trump, que fez do déficit comercial americano um dos principais ataques contra a China, pediu na véspera em Pequim, em reunião com o presidente Xi Jinping, condições "mais equitativas" às empresas americanas.

Até o momento, um investidor estrangeiro não pode ter mais de 20% do capital de um banco, e um estabelecimento bancário não pode ter no total mais de um quarto de seu capital em mãos estrangeiras.

Consequentemente, os bancos estrangeiros que quiserem entrar no gigantesco mercado chinês estarão condenados a desempenhar um papel muito marginal: sua fatia de mercado era estimada em somente 1,38% no fim de 2015, em comparação a 2,2% em 2008, segundo a Câmara de Comércio europeia em Pequim.

Enquanto isso, as empresas financeiras chinesas têm no exterior participação e investimentos no mercado financeiro e nas seguradoras, especialmente na Europa.

Histórico

O anúncio desta sexta-feira pode mudar essa situação, embora os especialistas demonstrem prudência em relação à implementação e às margens de manobra reais que os grupos estrangeiros terão.

"Estou ansioso para ver os detalhes, já que a abertura do setor financeiro poderia melhorar drasticamente o acesso a recursos financeiros na China", disse William Zarit, presidente da Câmara de Comércio dos EUA no país. "Essas restrições, como muitas outras que precisam ser suprimidas, entorpecem a atividade econômica há muito tempo.”

Trata-se de um "marco histórico no progresso da China para abrir a economia", considerou Larry Hu, analista de Macquarie citado pela Bloomberg.

Outro sinal das boas intenções por parte de Pequim é que a China vai "gradualmente, e em ritmo adequado, reduzir as tarifas alfandegárias" para as importações de automóveis, prometeu Zhu Guangyao, sem dar mais detalhes.

Este é outro setor submetido a restrições. As fabricantes europeias são obrigadas a criar na China co-empresas (joint ventures) que não podem controlar.

O vice-primeiro-ministro chinês, Wang Yang, lembrou que as empresas estrangeiras não são obrigadas a compartilhar seus sigilos tecnológicos para ter acesso ao mercado chinês, uma reiterada acusação de Washington, que abriu recentemente uma investigação sobre este tema.

Nos últimos anos, o regime comunista já havia dado alguns passos para abrir seus mercados financeiros. Lançou, por exemplo, duas plataformas de transação que conectam as Bolsas de Xangai e Shenzhen, isoladas do exterior, com a de Hong Kong, aberta internacionalmente. / AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.