China anuncia o despejo de 4 milhões de camponeses

Número se somará ao 1,2 milhão de deslocados pela represa de Três Gargantas, muitos deles ainda indigentes

EFE

13 de outubro de 2007 | 03h46

Quatro milhões de camponeses serão desalojados por causa do maior projeto hidrelétrico do mundo, a represa das Três Gargantas no rio Yang Tsé, um número que vai se somar ao 1,2 milhão de deslocados, muitos deles ainda hoje indigentes, informou neste sábado a imprensa chinesa. O anúncio foi realizado pelo prefeito do município de Chongqing (próximo à represa), Yu Yuanmu, que justificou este novo despejo de camponeses por motivos ecológicos. "O entorno ecológico da represa das Três Gargantas é muito frágil: suas condições naturais não são adequadas para uma urbanização em massa", explicou Yu, citado pelo jornal "South China Morning Post". O anúncio acontece duas semanas depois que um alto funcionário do Executivo chinês, Wang Xiaofeng, reconheceu pela primeira vez o terrível impacto ecológico causado por este projeto megalômano de US$ 22,5 bilhões de orçamento. A represa, que estará completamente terminada em 2008, representa o deslocamento de 1,2 milhão de moradores, o desaparecimento do patrimônio cultural da região, a erosão do solo, deslizamentos de terra, poluição e redução de terra para cultivos. O reconhecimento deste impacto, que foi previsto por grupos ambientalistas ao ser iniciada a construção em 1994, é visto pelos analistas como um distanciamento no seio do Partido Comunista da China da facção que criou do projeto: o ex-presidente Jiang Zemin e o ex-primeiro-ministro Li Peng. O dique, de 2,3 quilômetros de comprimento e 185 metros de altura, alcançará uma capacidade de geração de 22.500 megawatts (segundo gerador por capacidade no mundo, atrás apenas do de Itaipu, entre Brasil e Paraguai) quando estiver em pleno funcionamento, o que servirá para aliviar o déficit energético da região. Com o projeto, o Executivo comunista espera também frear os cíclicos transbordamentos do rio Yang Tsé, que durante milênios alagam a cada ano as áreas próximas e causam milhares de mortos.

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