China anuncia prisão do ex-chefe de espionagem

Autoridades da China prenderam Zhou Yongkang, ex-membro da cúpula do Partido Comunista e antigo ministro da Segurança Pública do país, acusado de corrupção, adultério e vazamento de segredos de Estado. A ação, divulgada neste sábado, abre caminho para o julgamento de um dos oficiais mais altos a ser atingido pela campanha anticorrupção liderada pelo presidente Xi Jinping.

AE, Estadão Conteúdo

06 de dezembro de 2014 | 11h37

Zhou, de 72 anos e rosto fechado, é a autoridade mais alta a ser levada a julgamento desde que a esposa de Mao Tsé-tung, Jiang Qing, foi acusada de deslealdade, em 1981. Ele estava sendo investigado desde julho por "violações severas de disciplina". É possível que ele tenha sido preso meses atrás, mas o caso só foi revelado agora, após o Partido Comunista confirmar sua expulsão, na sexta-feira. Zhou não aparecia em público desde outubro de 2013.

"Ele abusou de seus poderes para ajudar parentes, amantes e amigos a terem lucros enormes com suas empresas, resultando em sérias perdas para os ativos estatais", disse a agência oficial de notícias Xinhua, acrescentando que ele violou as regras de confidencialidade do Partido Comunista. "Ele vazou os segredos do Partido e do Estado", afirmou a agência, sem dar mais detalhes. Como na China os julgamentos de altas autoridades geralmente têm os resultados combinados entre as lideranças do partido, é bastante provável que Zhou seja condenado.

Muitos observadores e especialistas políticos dizem que Zhou provavelmente foi um grande rival do presidente Xi, que com a prisão dá uma clara demonstração de força. Ex-membros do Politburo do Partido Comunista são considerados intocáveis, em uma regra informal que visaria manter a unidade do partido, mas Xi prometeu punir autoridades de todos os escalões na sua campanha contra a corrupção.

Como chefe de segurança da China, Zhou fiscalizava as agências domésticas de espionagem, uma posição que lhe conferia acesso a informações de outros políticos importantes que poderiam ameaçá-lo. Sua rede de influência era enorme, especialmente na província de Sichuan, no sudoeste do país, onde chefiou a regional do Partido Comunista e controlou o setor petroleiro, a polícia e a Justiça. Fonte: Associated Press.

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