China apóia com ressalvas ataques contra terroristas

O presidente da China, Jiang Zemin, condenou nesta terça-feira os "horríveis atos terroristas (em Nova York e Washington)" e ressaltou que os autores "precisam ser castigados", mas advertiu que serão necessárias evidências conclusivas e alvos específicos numa ação contra o terrorismo para evitar atingir pessoas inocentes.Ele disse isso, segundo a agência Nova China, ao primeiro-ministro britânico, Tony Blair, que lhe telefonou da capital britânica para pedir apoio à luta contra o terrorismo internacional, liderada pelos Estados Unidos.A exemplo de Kofi Annan, secretário-geral da ONU, Jiang alertou Blair para os perigos de transformar o combate ao terrorismo numa luta contra o Islã."Responsabilizar o Islã por esses ataques terroristas equivale a atribuir ao cristianismo as sangrentas disputas entre católicos e protestantes na Irlanda do Norte."Jiang se opõe a um ataque militar retaliatório contra qualquer país sem provas e sem autorização prévia do Conselho de Segurança da ONU.Os chineses estariam também condicionando sua participação na luta antiterrorista ao reconhecimento pelos Estados Unidos dos direitos da China no Tibete e em Taiwan.O telefonema da Blair a Jiang faz parte da ofensiva diplomática desencadeada pelo primeiro-ministro britânico na semana passada em favor do projeto americano.Nessa linha, ele se reuniu nesta terça-feira com líderes de seis países africanos: Tanzânia, Senegal, Moçambique, Nigéria Gana e Botswana. E obteve deles uma declaração conjunta na qual se comprometem a cooperar no corte ao suporte financeiro do terrorismo e a colaborar no desmantelamento das redes.Blair, que já havia conversado com dirigentes paquistaneses, o presidente russo, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro italiano, Silvio Berlusconi, vai se reunir nesta quarta-feira com o chanceler alemão, Gerhard Schoeder, e parte na próxima quinta-feira para Nova York, onde visitará o local da tragédia e manterá contato com parentes das vítimas britânicas (estimadas em 250).Depois, irá a Washington, para saber do presidente George W. Bush, que nesta terça recebeu o presidente da França, Jacques Chirac, o que ele quer dos aliados europeus.Blair apresentará o resultado desse encontro na reunião extraordinária dos chefes de Estado da UE, marcada para sexta-feira, em Bruxelas. Embora tenham manifestado ampla solidariedade aos EUA, os governantes europeus vêem com preocupação seu envolvimento num esquema de retaliação militar.Dentro dessa perspectiva, o chanceler alemão vai receber na próxima semana o presidente da Rússia, Vladimir Putin, que também manifestou integral solidariedade aos EUA e até ofereceu ajuda.Mas a Rússia, embora também tenha em Osama bin Laden (apontado como cérebro dos ataques nos EUA) seu "inimigo nº 1" já deixou claro que não permitirá um ataque a partir de seu território.O chanceler russo, Igor Ivanov, vai encontrar-se nesta quarta-feira, em Washington, com seu colega americano, Collin Powell.Ele reiterou que a Rússia sempre condenou o terrorismo e vem pedindo a formação de uma coalizão internacional de combate."Temos insistido na necessidade de uma coordenação de esforços para levar a cabo essa tarefa", repetiu ele. Contudo, ressaltou que a Rússia vê com preocupação uma ação retaliatória no Afeganistão. "Tememos que isso possa desestabilizar a Ásia Central."

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.