China apóia declaração contra a guerra no Iraque

Na véspera da apresentação no Conselho de Segurança (CS), amanhã, do relatório do chefe dos inspetores de armas da ONU, Hans Blix, a China rompeu seu silêncio e expressou formalmente apoio à declaração conjunta feita no dia anterior pela França, Alemanha e Rússia, expressando sua total oposição a uma guerra ao Iraque. "A posição chinesa está de acordo com a declaração conjunta. A China apóia seu conteúdo", afirmou à imprensa o chanceler do país, Tang Jiaxuan.Horas depois, o presidente chinês, Jiang Zemin, falou por telefone com o presidente francês, Jacques Chirac, para reiterar a oposição da China à aprovação de uma resolução autorizando o uso da força contra o Iraque, informou a agência oficial Nova China. "Todo o esforço deve ser feito para encontrar uma solução política", disse Jiang, que também defendeu o prosseguimento das inspeções, segundo a agência chinesa.O país não deu nenhuma indicação, porém, sobre sua intenção de voto. China, Rússia, França, Grã-Bretanha e EUA são membros permanentes do CS e, portanto, têm direito a veto. Na declaração conjunta, os chanceleres russo, francês e alemão assinalaram que "não permitirão a passagem de uma resolução autorizando o uso da força". Diplomatas na ONU acreditam que a China poderia abster-se.EUA e Grã-Bretanha, os mais fortes defensores de um ataque para desarmar o Iraque, só têm por enquanto o apoio formal da Espanha e da Bulgária. A Síria, nação árabe, votará contra. Outros seis países - México, Chile, Camarões, Paquistão, Guiné e Angola - não se manifestaram.Numa tentativa de buscar uma solução de compromisso, o governo britânico anunciou hoje a intenção de negociar um texto alternativo ao da resolução que encaminhou ao CS no mês passado, em conjunto com os EUA e a Espanha. O texto original assinala que o Iraque violou todas as resoluções da ONU sobre desarmamento e deixa implícita a possibilidade do uso da força contra o país. "Há certamente a possibilidade de uma emenda e isso é algo que estamos buscando", disse o chanceler britânico, Jack Straw. A idéia seria adotar uma resolução autorizando a guerra e dando ao Iraque um prazo, de menos de uma semana, para provar não ter mais armas de destruição em massa.O chanceler alemão, Gerhard Schroeder, disse não ter como comentar um texto que desconhece, mas deixou claro não estar disposto a apoiar nenhuma resolução endossando uma guerra. "Se - e isso eu não sei - teremos o que sempre procuramos, ou seja, tempo para que os inspetores possam concluir seu trabalho, certamente eu nada tenho contra isso (o novo texto)".

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