Thomas Peter / REUTERS
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China aprova a reabertura de cinemas, academias, shoppings e restaurantes

Governo baixou o nível de alerta da epidemia de 'emergência' para 'trabalho regular'

Redação, O Estado de S.Paulo

09 de maio de 2020 | 10h45

PEQUIM - O Conselho do Estado Chinês aprovou neste sábado, 9, a reabertura de cinemas, academias, bibliotecas, museus e galerias de arte, entre outros espaços fechados, após o país registrar apenas um caso de coronavírus em 24 horas. Além disso,  o governo baixou o nível de alerta da epidemia de "emergência" para "trabalho regular" e autorizou que mercados, shopping centers, hotéis e restaurantes também voltem a funcionar.

De acordo com a agência de notícias estatal Xinhua, esses locais, vetados até agora em muitas províncias chinesas para evitar aglomerações, terão de estabelecer um limite para o número de visitantes e operar sob medidas especiais de prevenção.

Atualmente, o foco da pandemia na China parece estar na fronteira da província de Heilongjiang, onde nas últimas semanas houve um pico nos casos por causa do afluxo de chineses que retornaram da Rússia, embora as autoridades ainda considerem que o risco na área é baixo.

Segundo o último relatório oficial da Comissão Nacional de Saúde, existem apenas 208 casos ativos de covid-19 no país, dos quais 15 pacientes estão em estado grave. Nas últimas 24 horas, 53 chineses tiveram alta do hospital. 

Segundo a comissão, a China teve 13 novos casos nos primeiros oito dias deste mês, e o último dia em que houve dez ou mais notificações de infecção foi em 30 de abril, com 12. Desde o começo da pandemia, foram reportadas 82.887 notificações, com 4.633 mortes.

Governo admite que covid-19 revelou 'lacunas' na prevenção de doenças no país

Ainda neste sábado, o governo admitiu que a covid-19 revelou "lacunas" em seus sistemas de saúde e prevenção de doenças infecciosas. O país é alvo de críticas de líderes mundiais - as mais ferozes vêm do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

A China foi o primeiro a ser afetado pela epidemia no fim de 2019. A grande cidade de Wuhan (centro), considerada o foco inicial do novo coronavírus, foi particularmente afetada, com hospitais sobrecarregados, testes indisponíveis, enfermos não detectados ou falta de material.

Vários médicos de Wuhan que alertaram sobre o novo vírus foram criticados e acusados pelo governo de propagar "boatos".

"A luta contra a epidemia de covid-19 representa um grande teste para o sistema e as capacidades de governança do país", disse neste sábado Li Bin, vice-ministro chinês da Saúde.

"Também revelou que a China ainda tem lacunas em seus sistemas e mecanismos de prevenção e de controle de grandes epidemias e em seu sistema de saúde pública", disse ele em uma entrevista coletiva em Pequim.

O presidente chinês Xi Jinping já havia utilizado frases similares em fevereiro. 

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As declarações deste sábado acontecem no momento em que o governo dos Estados Unidos acusa a China de ter ocultado informações e de ter administrado a crise de maneira equivocada.

A epidemia "deveria ter sido detida na China", afirmou Trump durante a semana.

Vários países, como França, Alemanha e Reino Unido, também fizeram um apelo para que o governo chinês demonstre mais transparência na gestão da epidemia.

Na sexta-feira, 8, a China afirmou que apoia a criação, após o fim da pandemia, de uma comissão dirigida pela Organização Mundial da Saúde (OMS) para avaliar "a resposta mundial" ao novo coronavírus. / EFE e AFP

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