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China aumenta o controle sobre redes sociais para conter protestos

Pequim proíbe o anonimato e a convocação de encontros por meio de serviços de microblogging local

Agência Estado

17 de dezembro de 2011 | 10h04

Preocupada com o papel das mídias sociais nas revoluções que destituíram governos autoritários no mundo árabe neste ano, a China vai na contramão e trabalha para conter as manifestações eletrônicas de descontentamento que poderiam alimentar uma onda de manifestações contra o governo local. O país passou a reprimir as versões chinesas do Twitter, principal mídia usada para convocar os protestos que, até recentemente, eram raros por lá.

 

A partir de agora, está proibido o anonimato nas redes sociais, apontado por autoridades chinesas como o principal fator de aumento da dissidência e veiculador de protestos. As autoridades chinesas relutam em proibir completamente o uso das redes sociais, já que sem elas seria impossível identificar os dissidentes. A proibição do anonimato é uma das formas de ter conhecimento dos responsáveis pela propagação das insatisfações.

A China se prepara para realizar a transição de poder entre os dois principais líderes, evento que acontece a cada década no país. As novas regras anunciadas pelo governo de Pequim tem como alvo as ásperas conversas em serviços como o Sina Weibo, que tem atraído uma enxurrada de usuários chineses para compartilhamento de mensagens, fotos e vídeos. A principal norma a partir de agora é não usar pseudônimos nas redes sociais. Autoridades locais também verificarão a autenticidade dos nomes dos usuários para inibir a anonimidade que tem ajudado a encobrir a dissidência online.

As novas regras também proíbem a veiculação de informãções confidenciais e de material do Estado que possam afetar a segurança nacional, assim como a inserção de comentários que estimulem comportamentos de ressentimento étnico, discriminação e convocação de encontros que "prejudiquem a ordem social", informou a agência estatal de notícias Xinhua. As regras não determinam quais serão as punições.

As iniciativas respondem também a uma rebelião de moradores de Wukan, no sul do país, contra a tentativa dos governantes locais de venderem suas terras. O protesto é destaque entre uma série de manifestações que têm revelado as tensões sociais e econômicas que afligem a nação asiática. Moradores da cidade de Wukan mantinham, na sexta-feira, bloqueios a estradas para prevenir que forças de segurança entrassem na cidade.

Em julho, a colisão de um trem de alta velocidade desencadeou um debate na internet sobre o custo humano do modelo de desenvolvimento econômico acelerado da China. As redes sociais também se transformaram em uma plataforma para críticas públicas sobre a segurança dos ônibus escolares e gastos do governo, após uma série de acidentes fatais com veículos de transporte de estudantes. Agora, censores da internet ttrabalham para prevenir que as manifestações no sul se transformem no motivo para galvanizar uma controvérsia nacional. O descontentamento inicial em Wukan não está direcionado ao governo central, mas com a ajuda das redes sociais o tom pode mudar.

Autoridades de Pequim afirmaram, nesta sexta-feira, 16, que os as redes sociais com sede na cidade devem fazer o trabalho de verificação dos usuários antes que eles coloquem comentários online, embora eles possam ainda escolher seus nomes próprios nas telas. "Se você quiser colocar uma informação online, você tem que assumir a responsabilidade", disse o porta-voz do governo municipal de Pequim, Wang Hui, acrescentando que a possibilidade de se usar um nome diferente na internet será permitida para que haja alguma privacidade. As informações são do jornal Wall Street Journal, retransmitidas pela agência Dow Jones.

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