China aumenta pressão sobre Bo Xilai com prisão de ex-chefe de polícia

O Partido Comunista da China deu um grande passo rumo a selar o destino do político Bo Xilai nesta segunda-feira, quando um tribunal prendeu seu antigo chefe de polícia por 15 anos por acusações que indicaram que Bo tentou inviabilizar uma investigação de assassinato.

CHRIS BUCKLEY, Reuters

24 de setembro de 2012 | 12h09

O tribunal de Chengdu, no sudoeste da China, proferiu a sentença contra Wang Lijun após declará-lo culpado em quatro acusações, inclusive buscar encobrir o assassinato, em novembro de 2011, de um empresário britânico, Neil Heywood, cometido pela esposa de Bo, Gu Kailai.

O veredicto acabou com a carreira de um dos policiais mais célebres e controversos da China e colocou o partido mais perto de uma decisão formal sobre como lidar com Bo, cuja queda abalou a transferência da liderança no governo chinês que deve ocorrer em um congresso do partido já no próximo mês.

"Wang Lijun expôs pistas de grande violação da lei e crimes cometidos por outros", disse o veredicto do tribunal, segundo a agência de notícias Xinhua. Não foi dito quem seriam essas outras pessoas.

"Ele prestou uma grande contribuição e, de acordo com a lei, ele pode receber uma sentença mais leve", afirmou o tribunal. Wang poderia ter recebido prisão perpétua, ou até mesmo uma sentença de morte, pelos crimes cometidos.

A sentença relativamente leve, após a confirmação oficial de que Wang compartilhou pistas incriminadoras e de que Bo bateu nele depois que Wang o confrontou sobre as acusações de assassinato, deram mais peso às previsões de que o partido vai tentar prender Bo também, afirmou He Weifang, professor de Direito na Universidade Peking, que tem acompanhado de perto o caso.

"A rede jurídica em torno de Bo Xilai está lentamente ficando mais apertada", disse ele. "Ele certamente vai enfrentar um processo penal."

Antes que as autoridades chinesas possam lançar uma investigação criminal, a liderança do partido deve primeiro ouvir os resultados de uma investigação interna e decidir se entrega Bo. Isso poderia acontecer em um conclave de liderança que deve acontecer antes do congresso do partido.

"Eu acho agora que, mesmo dentro de uma semana, o partido poderia anunciar que ele foi entregue às autoridades legais", disse Li Weidong, um ex-editor de revista que tem acompanhado o escândalo em torno de Bo.

"Se não houver uma decisão sobre isso em breve, então pode ser difícil realizar o congresso do partido até o final de outubro."

O tribunal afirmou que Wang, antigo chefe da polícia do município de Chongqing, recebeu a sentença por "desrespeitar a lei para fins egoístas, deserção, abuso de poder e aceitação de suborno", segundo a Xinhua.

Wang não vai apelar contra a sentença, disse seu advogado Wang Yuncai. A sentença pode ser reduzida depois que ele cumprir metade da pena, acrescentou o advogado.

Em março, Bo foi demitido do cargo de chefe do partido em Chongqing e, em abril, foi suspenso do Politburo, um poderoso conselho de tomada de decisões com duas dezenas de membros ativos.

Até agora, Bo foi acusado apenas de violar a disciplina interna do partido, e seus defensores acusaram adversários de explorar as acusações contra Gu para derrubar Bo. Ele não teve chance de se defender publicamente desde sua queda em março.

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