China aumenta pressão sobre o Japão e planeja protesto marítimo

O mais alto diplomata chinês elevou a pressão sobre o Japão por conta de uma disputa territorial, avisando Tóquio no domingo que o país não deveria "julgar mal", referindo-se à captura de um barco de pesca chinês em águas disputadas.

CHRIS BUCKLEY, REUTERS

12 de setembro de 2010 | 11h00

A mais recente exigência chinesa marca a escalada da disputa entre os dois países.

O conselheiro de Estado Dai Bingguo fez o aviso ao embaixador do Japão em Pequim, Uichiro Niwa, em uma reunião no começo do dia. Bingguo pediu que o capitão e os tripulantes do barco capturado fossem libertados. O barco colidiu com dois barcos da guarda costeira japonesa em águas disputadas na semana passada, segundo a agência Xinhua.

Dai é o assessor dos líderes chineses em questões de política externa e tem um posto mais alto que o ministro das relações exteriores dentro do Partido Comunista.

"Ele solenemente falou das preocupações chinesas e pediu ao Japão que não faça um julgamento errôneo e liberte o barco e os tripulantes chineses imediatamente," disse a Xinhua.

Na tarde de domingo mais de dez manifestantes chineses se preparavam para navegar em direção às ilhas orientais da China em disputa, chamadas de Senkaku no Japão e de Diaoyu na China, num barco de pesca, disse Li Yiqiang, um dos organizadores da manifestação.

Ele disse que o grupo não pediu autorização do governo, que já impediu protestos similares no passado.

Niwa, o embaixador japonês, não deu indicação de que seu governo está pronto a recuar.

"Mantivemos a posição de que trataremos o caso em estrito acordo com as leis locais", disse o embaixador, segundo a agência Kyodo.

Na sexta-feira, um tribunal japonês autorizou uma extensão de dez dias para o período de detenção do capitão do barco capturado, Zhan Qixiong, cujos 14 tripulantes estão sendo mantidos na mesma ilha que ele.

Procuradores japoneses alegam que Zhan deliberadamente bateu num barco de patrulha e obstruiu autoridades.

O embaixador japonês já foi chamado quatro vezes para ouvir reclamações sobre o caso, que está dando um tom emocional a uma longa disputa territorial sobre as águas que separam os dois países.

A China já cancelou negociações sobre a exploração de gás natural em outra área marítima em disputa por conta do caso e disse que repercussões mais sérias estão a caminho.

No sábado, o Japão fez um protesto formal depois que um barco da administração oceânica da China tentou parar um barco da Guarda Costeira japonesa 280 quilômetros a noroeste da ilha japonesa de Okinawa.

Os dois países têm disputado as águas insistentemente.

Tóquio diz que a exploração de gás natural pela China no mar do leste chinês ameaça campos de gás em águas japonesas, mas a China nega que haja esse problema e questiona a definição japonesa de fronteira marítima.

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