China aumentará este ano em 10,7% gastos com defesa

Porta-voz do Congresso Nacional do Povo cita 'lição do bullying' para justificar aumento no orçamento militar

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

05 de março de 2013 | 02h03

A China vai aumentar seus gastos militares neste ano em 10,7%, para US$ 115,7 bilhões, o maior orçamento do mundo depois dos Estados Unidos. Representante do governo justificou ontem a elevação com o argumento de que o país foi "submetido à dura lição do bullying" no passado, em razão de fragilidades de seu sistema de defesa nacional.

"As memórias históricas do povo chinês em relação a esse problema são profundas", afirmou em entrevista coletiva Fu Ying, porta-voz do Congresso Nacional do Povo, cujo encontro anual foi aberto hoje em Pequim.

A aprovação do orçamento militar será uma das tarefas dos 2.987 representantes que se reunirão na capital chinesa pelos próximos 12 dias. A modernização do Exército de Libertação Popular é um dos principais objetivos do Partido Comunista, que expandiu os investimentos em defesa a taxas anuais de dois dígitos na maior parte das últimas duas décadas.

Apesar da constante elevação, os gastos militares chineses ainda representam cerca de um quinto dos realizados pelos americanos.

O Congresso Nacional do Povo ocorre em meio ao agravamento de disputas territoriais da China com seus vizinhos, em especial o Japão. Em resposta a uma pergunta da agência de notícias japonesa Kyodo, Fu Ying ressaltou que a China responderá de maneira "resoluta" a "provocações" de outros países.

Segundo ela, a decisão de Tóquio de nacionalizar as ilhas Diaoyu/Senkaku contraria o "consenso" alcançado pelos dois países quando restabeleceram as relações diplomáticas, em 1972.

O território é reivindicado tanto pelo Japão quanto pela China, mas está formalmente sob controle japonês.

Fu Ying observou que a área foi "tomada" pelo Japão em 1895, quando a China perdeu a 1.ª Guerra Sino-Japonesa, um dos confrontos a que se referia quando falou em bullying. Depois da derrota de Tóquio na 2.ª Guerra - à qual Fu Ying se referiu como Guerra Antifascista -, as ilhas deveriam ter sido devolvidas à China, sustentou.

O Congresso Nacional do Povo vai concluir a transição de poder iniciada pelo Partido Comunista em novembro, nomeando Xi Jinping para o cargo de presidente e Li Keqiang para o de primeiro-ministro. Também serão aprovados os nomes de vice-presidentes, vice-primeiro-ministros, ministros, e dirigentes do banco central e órgãos reguladores.

Wen Jiabao apresentou na manhã de hoje (horário de Pequim) seu último relatório sobre o governo na condição de primeiro-ministro - a versão chinesa do Estado da União americano. Nele, anunciou que a meta de crescimento de 2013 será de 7,5%, a mesma apresentada no ano passado.

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