China avalia ´morte cerebral´ para aumentar transplantes

A China estudará a possibilidade de reconhecer a morte cerebral para impulsionar os transplantes, disse um responsável ministerial diante da entrada em vigor nesta terça-feira da histórica Lei de Transplantes, que continua exigindo a cessação da respiração e a parada cardíaca para declarar oficialmente o óbito.A Lei de Transplantes é um "marco" no país, mas ainda está "incompleta", pois, ao contrário de muitos países ocidentais, não reconhece a morte cerebral, estado idôneo para extrair os órgãos, disse Huang Jiefu, vice-ministro de Saúde e especialista em transplantes de fígado, segundo informa a agência oficial "Xinhua"."Quinze minutos após a parada cardíaca ou a cessação da respiração os órgãos ficam danificados de forma irreparável e já não podem ser extraídos para transplantes", apontou o responsável.Huang explicou que, na segunda metade deste ano, será realizado um seminário acadêmico nacional no qual será revisado o conceito de "morte cerebral".Este não é o único especialista que defende o reconhecimento desta morte em um país dominado pela tradição de que "a vida dura até o último suspiro e até que o coração deixe de bater", e onde um milhão e meio de pessoas precisam de transplante por ano, apesar de apenas dez mil o conseguirem.A normativa que entra em vigor amanhã é composta por 32 artigos e servirá, além disso, para executar a ilegalização da compra e venda de órgãos humanos, em vigor desde julho do ano passado.Estipula ainda que os transplantes deverão respeitar o princípio da doação livre e voluntária, após as reiteradas acusações de organizações de direitos humanos sobre a extirpação de órgãos de prisioneiros executados sem seu consentimento.Em março, o grupo Human Rights Watch (HRW) disse ter evidências de que as autoridades falsificam, às vezes, a assinatura de condenados quando estes não rubricaram o formulário de transplante, e que 95% dos órgãos transplantados no país provêm de execuções de prisioneiros.

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