China cancela projeto de duto após protesto violento

Autoridades chinesas cancelaram neste sábado um projeto de um duto de dejetos industriais depois que manifestantes anti-poluição ocuparam um edifício público no leste da China, destruindo computadores e revirando carros.

Reuters

28 de julho de 2012 | 12h03

O protesto foi o último de uma série de revoltas desencadeadas pelo temor de degradação ambiental e é uma evidência das tensões sociais que o governo chinês enfrenta, num ano em que haverá transição no poder.

Esse foi também o segundo cancelamento de um projeto industrial este mês como resultado da pressão de manifestantes.

O prefeito da cidade de Nantong, Zhang Guohua - cidade situada no leste da China -, disse em um comunicado que a prefeitura iria cancelar o projeto do duto, cujo objetivo seria lançar no mar á água usada por uma fábrica japonesa de papel, perto da cidade de Qidong.

A decisão foi tomada horas depois de cerca de mil manifestantes saírem pela ruas de Qidong, situada a cerca de uma hora ao norte de Xangai, gritando slogans contra o duto.

"O governo diz que os dejetos não vão poluir o mar, mas se isso fosse verdade, por que eles não os jogam no rio Yangtsé?", disse a manifestante Lu Shuai, de 25 anos, que trabalha com logística. "É que se eles lançarem no rio, haverá impacto em Xangai e as pessoas de Xangai vão se opor."

Vários manifestantes entraram no principal edifício governamental, onde danificaram computadores, reviraram mesas e jogaram documentos pelas janelas, enquanto a multidão do lado de fora gritava em apoio. A Reuters presenciou cinco carros e um micro-ônibus sendo revirados.

Pelo menos dois policiais foram arrastados pela multidão e espancados a ponto de ficarem sangrando.

As preocupações com o meio ambiente têm desencadeado reivindicações de mais direitos para os cidadãos e mais consultas por parte das autoridades da China, país fortemente controlado pelo Partido Comunista, o único legal.

A demonstração pública de revolta é uma amostra do crescente descontentamento enfrentado pelos líderes chineses, que têm como obsessão a manutenção da estabilidade e o esforço para equilibrar o crescimento em meio à crescente insatisfação da população com os danos ao meio ambiente.

(Reportagem de John Ruwitch e reportagem adicional de Carlos Barria)

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