China cede e não mandará idosas a campos de trabalho forçado

Mulheres foram condenadas por solicitar, de forma legal, o direito de manifestar-se durante os Jogos Olímpicos

EFE

30 de agosto de 2008 | 03h30

Wu Dianyuan, de 79 anos, e Wang Xiuying, de 77, não serão mandadas a campos de reeducação. As duas haviam sido condenadas a dois anos de trabalhos forçados por solicitar, de forma legal, o direito de manifestar-se durante os Jogos Olímpicos de Pequim, mas os tribunais do país cederam às pressões e revogaram a sentença, informou um comunicado da Human Rights in China (HRIC). Em seu comunicado, a entidade deu boas-vindas à decisão, e destacou que "devido à atenção internacional gerada pela polêmica, o governo chinês se deu conta de que esse castigo era duro e inapropriado", disse Sharon Hom, diretora da HRIC.  As duas idosas solicitaram permissão para manifestar-se em um dos três "parques para protesto" designados pelo Governo ante às exigências internacionais para melhorar a liberdade de expressão no país. Pouco depois, em meados de agosto, foram condenadas a dois anos de reeducação por trabalho forçado.  Criados em 1955, durante os primeiros anos do regime comunista fundado por Mao Tsé-tung, o sistema de campos de reeducação (os "laogai") serviu para privar de liberdade a intelectuais (nas campanhas contra "direitistas" em 1957) e a estudantes que participaram dos protestos na Praça da Paz Celestial em 1989, entre muitos outros considerados "opositores do regime".  Segundo grupos de direitos humanos, estes campos de trabalho, muitos deles situados em locais secretos, mantém detidas cerca de 300 mil pessoas, grande parte sem condenação judicial.  A China assinou em 1998 a Convenção Internacional de Direitos Políticos e Civis, que proíbe os trabalhos forçados, e estuda uma reforma legal para melhorar e adaptar aos padrões internacionais os controversos "laogai".

Tudo o que sabemos sobre:
ChinaPequimdireitos humanos

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.