China celebra aniversário de Mao, mas comemoração tem escala menor

A China celebrou nesta quinta-feira o 120º aniversário de Mao Tsé-tung, o fundador da China moderna, mas as festividades foram reduzidas, num momento em que o presidente Xi Jinping inicia reformas econômicas que preocupam os esquerdistas.

BEN BLANCHARD E BENJAMIN KANG LIM, Reuters

26 de dezembro de 2013 | 08h47

Mao se tornou um importante símbolo para integrantes esquerdistas do Partido Comunista Chinês, que consideram que as três décadas de reformas pró-mercado foram longe demais, criando desigualdades sociais com uma enorme disparidade entre ricos e pobres e uma corrupção disseminada. Venerar Mao é uma forma de pressionar a atual liderança sem se opor abertamente a ela.

Os sete integrantes do Comitê Permanente do Politburo do PC Chinês visitaram o mausoléu de Mao na Praça da Paz Celestial, mas em nível nacional as celebrações foram limitadas.

A agência estatal de notícias Xinhua disse que os líderes, inclusive Xi, se curvaram três vezes diante de uma estátua de Mao e prestaram homenagens a seu corpo embalsamado, "evocando os grandes feitos do Camarada Mao Tsé-tung".

Segundo Xi, Mao foi uma grande pessoa, que se apegou a suas crenças e conquistou o respeito e o amor do povo, mas que também cometeu "sérios erros", como a Revolução Cultural (1966-76), segundo a Xinhua.

"Os erros do Camarada Mao nos seus últimos anos têm seus fatores subjetivos... mas, por causa de complicadas razões sociais e históricas, tanto internas quanto no exterior, eles devem ser vistos e analisados de forma abrangente historicamente", disse Xi.

Uma fonte ligada à liderança chinesa disse, sob anonimato, que a cúpula chinesa compareceu ao mausoléu "para aplacar os esquerdistas, depois das reformas da terceira plenária".

No mês passado, uma reunião plenária da cúpula comunista divulgou o mais ousado pacote de reformas econômicas e sociais em quase três décadas, abrandando a sua política do filho único e liberalizando ainda mais os mercados.

Mas Xi e sua equipe deram prazo até 2020 para a obtenção de resultados "decisivos" -- um reconhecimento implícito da dificuldade da tarefa, quando o setor estatal, muito valorizado durante a era maoísta, continua sendo forte, e muitos estão descontentes com os crescentes problemas sociais acarretados pelas reformas econômicas do partido.

"As celebrações precisam ser grandiosas, ou as pessoas ficaram infelizes", disse outra fonte, ligada a esquerdistas tradicionais do partido.

Mao, que morreu em 1976, continua sendo uma figura polêmica.

Sua imagem adorna as cédulas de dinheiro, e seu corpo embalsamado atrai centenas ou mesmo milhares de pessoas por dia em Pequim.

Embora o partido admita que ele cometeu erros, ainda não houve um prestação de contas oficial sobre o caos da Revolução Cultural ou sobre milhões de mortes por causa da fome durante o chamado Grande Salto Adiante (1958-1961).

(Reportagem adicional de Adam Rose e Huang Yan)

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