Zhou Chao/Efe
Zhou Chao/Efe

China celebra revolução popular, mas sem o povo

Moradores do trajeto da parada militar desta quinta-feira são proibidos até de aparecer nas janelas

Cláudia Trevisan, O Estado de S. Paulo

29 de setembro de 2009 | 07h38

 A China vai celebrar no dia 1º de outubro a revolução popular que levou os comunistas ao poder em 1949, mas o povo não vai participar da festa. Apenas pessoas com convite poderão entrar na praça Tiananmen, onde os chineses se reuniram há quase 60 anos para escutar o discurso no qual Mao Tsé-tung anunciou a fundação da República Popular da China. O resto da população terá que assistir a cerimônia pela televisão.

 

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Nem mesmo os que vivem no trajeto pelo qual a parada militar vai passar a partir das 9h poderão sair à janela para ver o evento, de acordo com determinação transmitida pelas autoridades locais a todos os condomínios da região. A medida já havia sido adotada durante os ensaios realizados nas últimas semanas. A ordem para o dia 1º é que as janelas permaneçam fechadas e os moradores não apareçam nelas no período de 7h às 12h. Também está proibido receber visitas a partir das 16h do dia 30 e até as 12h do dia seguinte.

 

Os hotéis que estão nas proximidades da praça Tiananmen tiveram todos os seus quartos "requisitados pelo Estado" no período de 29 de setembro a 2 de outubro, quando permanecerão fechados para o público. Todos os hóspedes deveriam sair até a segunda-feira. Os hotéis que estão distantes de Tiananmen, mas no caminho que será percorrido pela parada, terão que esvaziar todos os quartos que dão para a avenida principal de Pequim. A praça e as atrações turísticas que estão ao seu redor, incluindo a Cidade Proibida, serão fechadas para o público a partir desta terça.

 

As medidas extremas fazem parte do aparato de segurança montado para a cerimônia. A manutenção da ordem no dia 1º ficará a cargo de 200 mil policiais e 1 milhão de vigilantes comunitários que trabalham de maneira voluntária.

 

O aeroporto da capital chinesa será fechado durante a parada militar. Os 180 voos previstos para a manhã de quinta-feira serão cancelados no mais movimentado aeroporto do país. Pilotos estrangeiros que trabalham para companhias aéreas chinesas estão proibidos de voar no dia 1º de outubro.

 

O desfile militar será entremeado com espetáculo artístico, do qual participarão cerca de 100 mil pessoas. À noite, haverá um show dirigido pelo cineasta Zhang Yimou, responsável pelo espetáculo de abertura da Olimpíada de Pequim no ano passado. Também realizado na praça Tiananmen, o evento terá 33 minutos de fogos de artifício, que serão lançados de 99 diferentes locais de Pequim.

 

O nove é um dos números mais apreciados pela cultura chinesa. Sua pronúncia é semelhante à de longevidade (jiu) e, por ser o mais alto algarismo de um dígito, ele foi tradicionalmente associado ao imperador, que usava roupas estampadas com nove dragões e vivia em um palácio (a Cidade Proibida) que tinha 9.999 quartos.

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