China censura trechos do discurso

Censores suprimiram palavra ''comunismo'' e ataque a regimes ''que se aferram ao poder pela repressão a adversários''

Cláudia Trevisan, O Estadao de S.Paulo

22 de janeiro de 2009 | 00h00

Referências à luta contra o comunismo e o ataque a governos que silenciam dissidentes desapareceram da versão em chinês do discurso do presidente Barack Obama distribuído pela agência oficial de notícias e reproduzido por toda a imprensa da China. Os censores retiraram a palavra "comunismo" e cortaram dois parágrafos inteiros.A transmissão ao vivo da cerimônia de posse pela rede de TV estatal CCTV teve uma interrupção abrupta quando o americano fez menção ao comunismo. Sua imagem sumiu e, em seu lugar, apareceu a âncora da TV, visivelmente surpreendida. Na versão escrita, a palavra foi cortada da frase "Lembrem-se que gerações anteriores enfrentaram fascismo (e comunismo) não só com mísseis e tanques, mas com alianças vigorosas e convicções duradouras". Dos dois parágrafos suprimidos, a frase aparentemente sensível era: "Aos que se aferram ao poder pela corrupção, fraude e silenciamento dos adversários, saibam que estão do lado errado da história." Apesar das reformas econômicas dos últimos 30 anos, a China continua a ser governada pelo Partido Comunista, e há milhares de dissidentes na prisão, sob vigilância ou no exílio.Mesmo com as divergências ideológicas, o jornal oficial China Daily, editado pelo Conselho de Estado, publicou editorial no qual classificou a relação entre China e EUA como uma das mais "influentes" do mundo e conclamou Obamaa manter a política de George W. Bush em relação ao país. "A boa notícia para Obama é que seu antecessor, durante seus oito anos de mandato, construiu uma sólida base para uma das relações mais influentes do mundo", afirmou o editorial.

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