China chama acusações de violações de direitos de 'espetáculo político'

Na quarta-feira, chanceler do Reino Unido divulgou relatório criticando política chinesa

Efe

18 de março de 2010 | 15h16

PEQUIM - A China chamou de "espetáculo político" as acusações de violações dos direitos humanos feitas por países ocidentais. As declarações foram uma resposta ao relatório divulgado pelo Reino Unido na quarta-feira, no qual o país europeu critica a postura chinesa.

 

"Trata-se de um espetáculo político", afirmou nesta quinta-feira, 18, um porta-voz da chancelaria chinesa. "Nos opomos às pressões, aos duplos padrões. Vejam o relatório, critica os países em desenvolvimento. Por que o Reino Unido não fala sobre si mesmo ou sobre outros países ocidentais que também violam os direitos humanos?", atacou o porta-voz Qin Gang.

 

O relatório, divulgado na quarta-feira pelo ministro de Assuntos Exteriores do Reino Unido, David Miliband, após uma visita à China, cita especialmente a situação na Colômbia e em Cuba, mas também relata que Pequim usa de detenções para silenciar os defensores de direitos humanos e dissidentes do regime do Partido Comunista da China.

 

Na semana passada, o Departamento de Estado dos EUA também divulgou um relatório criticando a situação dos direitos humanos em vários países. Sobre a China, o documento abordou a questão da censura na internet e sobre a forma como o governo repreendeu os enfrentamentos entre os chineses han e os muçulmanos uigures na província de Xinjiang.

 

Na ocasião, quase 200 pessoas morreram e outras 1.600 ficaram feridas. O governo condenou 26 pessoas à morte por participação nos tumultos, sendo a maioria da etnia uigur.

 

Advogado

 

Ao mesmo tempo, o país continua sem dar detalhes sobre o paradeiro do advogado Gao Zhisheng, candidato ao Prêmio Nobel da Paz e desaparecido desde fevereiro de 2009. Qin negou responder as perguntas, sobre o paradeiro de Gao. O Ministério de Assuntos Exteriores da China disse nesta semana que Gao cumpre pena por subversão contra o poder do Estado.

 

Apesar de organizações defensoras de direitos humanos apontarem que o desaparecimento de Gao, um advogado especializado em casos que incomodam o regime chinês, dá uma péssima imagem a Pequim, Qin afirma que se trata de um caso judicial "que não tem nada a ver com a imagem da China". "Espero que nenhum dos senhores me perguntem outra vez sobre Gao Zhisheng, porque não vou dar nenhuma resposta nova", disse o porta-voz a jornalistas.

 

Gao, de 43 anos, foi detido por sete agentes policiais em 4 de fevereiro de 2009 em sua casa. Desde então, seus parentes desconhecem seu paradeiro. A imprensa estrangeira denunciou esta semana que seus familiares na China estão recebendo pressões das autoridades para que digam que Gao entrou em contato com eles e que está bem.

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