REUTERS/David Gray/File Photo
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China chama de 'manipulação' o relatório dos EUA sobre seu arsenal nuclear

Rebatendo o documento, governo chinês apontou justamente os Estados Unidos como 'a maior fonte mundial' de preocupação em torno desse tema

Redação, O Estado de S.Paulo

04 de novembro de 2021 | 08h00

Pequim — O governo chinês classificou como “manipulação” um relatório do Pentágono divulgado nesta quarta-feira, 3, que alerta para uma expansão mais rápida que o esperado do arsenal nuclear do país asiático.

"O documento divulgado pelo Departamento de Defesa dos EUA, como outros semelhantes anteriores, ignora os fatos e está cheio de preconceitos", disse o porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Wang Wenbin.

O governante também acusou Washington de "inflar a tese da China como ameaça nuclear" e, rebatendo o teor do relatório, apontou justamente os Estados Unidos como "a maior fonte mundial” de preocupação em torno desse tema.

O documento do Pentágono estima que a China já pode lançar mísseis armados com ogivas nucleares de terra, mar e ar. "A China está investindo e expandindo o número de suas plataformas de lançamento nuclear terrestre, marítima e aérea e construindo a infraestrutura necessária para apoiar esta grande expansão de suas forças nucleares", disse o Departamento de Defesa. 

Isso significa que o país asiático "possivelmente já estabeleceu uma tríade nuclear" de sistemas de lançamento e está "aumentando sua capacidade de produzir e separar plutônio por meio da construção de reatores reprodutores rápidos e instalações de reprocessamento".

Segundo acreditam os Estados Unidos, os chineses poderiam ter 700 ogivas nucleares em 2027 e chegar a mil em 2030, um arsenal duas vezes e meia maior do que o previsto pelo Pentágono há apenas um ano.

A avaliação aparece no relatório anual que o Pentágono submete ao Congresso sobre o desenvolvimento militar chinês.

Mesmo se alcançar mil ogivas nucleares, o arsenal chinês estaria longe de se igualar ao dos Estados Unidos e da Rússia, que juntos possuem mais de 90% das armas nucleares mundiais: 5.550 os EUA e 6.255 Moscou, segundo dados do Instituto Internacional de Pesquisas para a Paz de Estocolmo (Sipri)./AFP

 

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