China cobra mudança em estilo de vida dos países poluidores

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, disse na sexta-feira que os países ricos precisam abandonar seu "estilo de vida insustentável" para combater a mudança climática e ampliar a ajuda a nações pobres, mais afetadas pelo agravamento das secas e pelo aumento do nível dos mares. Wen disse na abertura de uma conferência que a crise financeira não é razão para que os países ricos adiem o combate ao aquecimento. "Conforme a crise financeira global se espalha e piora, e a economia mundial aparentemente se desacelera, a comunidade internacional não deve abandonar sua determinação de lidar com a mudança climática", disse ele, segundo a agência de notícias Xinhua. O evento, que vai até sábado, se destina a pressionar os países ricos a despejarem dinheiro para que países em desenvolvimento tenham acesso a tecnologias de redução de emissões dos gases do efeito estufa. Autoridades estrangeiras presentes ao encontro, porém, manifestaram dúvidas sobre a proposta chinesa, que deve provocar um debate sobre quem paga qual conta. Acredita-se que a China já seja o maior emissor mundial de dióxido de carbono, o principal dos gases do efeito estufa, resultante principalmente de fábricas, usinas termoelétricas e carros. Mesmo assim, Wen jogou o ônus sobre as nações ricas, onde as emissões "per capita" são muito maiores, além de mais antigas. "Os países desenvolvidos têm o dever e a responsabilidade de combaterem a mudança climática, e devem alterar seu estilo de vida insustentável", disse Wen na conferência. As autoridades chinesas sugerem que os países ricos destinem até 1 por cento do seu PIB para transferir tecnologias "limpas" para o Terceiro Mundo e para ajudá-lo a superar os efeitos negativos do aquecimento. Isso significaria 284 bilhões de dólares por ano caso os membros da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) fizessem pagamentos com base no seu PIB de 2007. Mais de 190 países participam de negociações preliminares para um novo tratado climático, a ser aprovado no final de 2009 em Copenhague, para entrar em vigor depois de 2012, quando expira o Protocolo de Kyoto. Ao contrário do atual tratado, o novo deve conter metas de redução de emissões de carbono por parte dos países em desenvolvimento. Autoridades climáticas presentes em Pequim elogiaram o crescente ativismo chinês nessa questão, mas questionaram sua proposta, especialmente num momento de crise. "É inegável que a crise financeira terá um impacto sobre as negociações da mudança climática", disse à Reuters Yvo de Boer, diretor do Secretariado de Mudança Climática da ONU. "Se formos aos cidadãos sob as atuais circunstâncias e dissermos 'Vou aumentar sua carga tributária a fim de pagar pela política climática', isso pode não cair muito bem."

CHRIS BUCKLEY E EMMA GRAHAM-HARRISON, REUTERS

07 de novembro de 2008 | 09h54

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