China começa a substituir geração que liderou boom econômico

A China começou a preparar a substituição das suas autoridades econômicas e reguladoras, num processo que vai durar 18 meses é e parte da ascensão de uma nova geração de líderes no país.

BRIAN RHOADS, REUTERS

06 Setembro 2011 | 09h42

Fontes e analistas ligados à elite governante chinesa dizem que a dança das cadeiras entre ministros, técnicos, diretores de órgãos públicos e governadores provinciais já começou, e vai durar até o começo de 2013.

O processo pode causar insegurança entre os funcionários e levar a uma desaceleração na agenda reformista da China, segunda maior economia do mundo, chegando a uma quase paralisia com a aproximação do Congresso do Partido Comunista no final de 2012.

A troca de cargos - aposentando a geração que comandou o boom econômico chinês dos últimos anos - deve atingir as agências que regulamentam bancos e seguradoras, o gigantesco fundo chinês de pensões, e o órgão que gerencia setores estratégicos, como petróleo e telecomunicações. Novos rostos devem aparecer também no Banco Central e nos ministérios de Finanças e Comércio.

Ao contrário do que ocorre em países ocidentais, onde um presidente ou primeiro-ministro eleito nomeia seus ministros após tomar posse, às vezes submetendo os escolhidos a uma aprovação parlamentar, na China as mudanças na cúpula são decididas a portas fechadas, e os principais cargos são ocupados por candidatos selecionados por alguns poucos dirigentes.

A elite do PC chinês - incluindo políticos prestes a se aposentarem, como o presidente Hu Jintao, e seu provável sucessor, Xi Jinping - vai decidir sobre as nomeações em misteriosas reuniões ao longo do próximo ano.

O ápice das mudanças ocorrerá no 18o Congresso, previsto para o outono do ano que vem- as datas exatas só devem ser divulgadas com poucas semanas de antecedência. As nomeações serão confirmadas em março de 2013 na sessão anual do Parlamento.

O sigilo que cerca o processo impede uma previsão exata sobre as trocas de cargos, mas, segundo fontes políticas e analistas, os seguintes nomes estão cotados para serem substituídos:

-Zhou Xiaochuan, 63 anos, que preside o Banco Popular da China desde 2002, e como tal supervisionou a política monetária e a histórica revalorização do iuan em 2005. O favorito para sucedê-lo é Guo Shuqing, presidente do Banco da Construção da China e ex-chefe da Administração Estatal do Câmbio.

-Liu Mingkang, 65 anos, chefe da agência reguladora dos bancos há quase uma década. Durante esse período, os Quatro Grandes bancos estatais se tornaram mais transparentes e lançaram ações na Bolsa. Possíveis substitutos, segundo três fontes ouvidas pela Reuters, incluem Jiang Jiangqing, presidente do Banco Industrial e Comercial da China (BCIC), maior banco do mundo por valor de mercado; ou Xiao Gang, presidente do Banco da China.

- Xie Xuren, que completa 65 anos em outubro, é o ministro das Finanças. Lou Jiwei, presidente do gigantesco fundo soberano chinês, é candidato a substituí-lo, segundo fontes.

- Wu Dingfu, 65 anos, presidente da Comissão Reguladora de Seguros da China, também deve se aposentar. Seu provável sucessor é o presidente do Banco de Desenvolvimento da China, Jiang Chaoliang.

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