China condena 20 por atividades separatistas em Xinjiang

A China sentenciou 20 pessoas a até 15 anos de cadeia por defenderem a violência e o separatismo na região de Xinjiang, oeste do país, onde o governo central tem reprimido dissidentes e restringido práticas religiosas.

AE, Agência Estado

02 de agosto de 2012 | 12h40

O diário estatal Xinjiang Daily disse nesta quinta-feira que tribunais em Aksu, Kashgar e Urumqi julgaram cinco casos envolvendo os 20 acusados e determinaram que eles usaram a internet e dispositivos de armazenamento móveis para organizar, liderar e participar de grupos terroristas.

Segundo os tribunais, quatro deles fabricaram explosivos ilegais, diz o Xinjiang Daily, embora a matéria não cite explosões de bombas ou qualquer ato violento de responsabilidade dos réus. O jornal divulgou os nomes de apenas cinco pessoas, todas uigures.

Xinjiang abriga uma grande população da minoria uigur, mas é governada pela etnia majoritária chinesa Han. Episódios de violência têm sido registrados nos últimos anos, dentre eles os confrontos étnicos em Urumqi em 2009, que deixaram quase 200 mortos.

Dilxat Raxit, porta-voz do Congresso Mundial Uigur, grupo que atua no exílio, disse em comunicado que os acusados usaram a internet para obter informações controladas pelo governo e expressar opiniões políticas diferentes. Segundo ele, as acusações de terrorismo e os veredictos tiveram motivação política.

Um boletim informativo do governo sobre a vila de Zonglang, em Xinjiang, destaca que integrantes do Partido Comunista, funcionários do governo e estudantes estão proibidos de participar de atividades religiosas, como a celebração do mês muçulmano sagrado do Ramadã. O artigo diz que o chefe do partido na cidade está arregimentando apoio de idosos e de militares reformados para promover a política partidária.

No condado de Onsu, o escritório de educação proíbe estudantes e professores de deixar as cidades sem permissão durante as férias de verão. Além disso, pede que os professores verifiquem as mesquitas para assegurar que nenhum estudante ou professor participe de qualquer atividade religiosa durante as férias de verão, principalmente durante o Ramadã.

No condado de Wushen, o governo pede a militares reformados que informem se jovens estão deixando a barba crescer ou se mulheres estão usando véu. As informações são da Associated Press.

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