China condena ativista político a 5 anos de prisão

Justiça pune chinês por coletar 10 mil assinaturas para manifesto pró-direitos humanos e contra Olímpiadas

Cláudia Trevisan, de O Estado de S. Paulo,

24 de março de 2008 | 11h37

A Justiça chinesa condenou nesta segunda-feira, 24, a cinco anos de prisão, o ativista político Yang Chunlin, preso desde julho de 2007 sob acusação de subversão depois de ter coletado 10 mil assinaturas de camponeses para o manifesto Nós queremos direitos humanos e não Olimpíadas. Ele também foi condenado à suspensão de seus direitos políticos por dois anos depois de sua libertação, em 2012.   Veja também: Pequim anuncia prisão de oito suspeitos de distúrbios no Tibete Conflito no Tibete rouba a cena na cerimônia da tocha Governo exilado diz que 130 foram mortos no Tibete Entenda os protestos no Tibete   Demitido na década de 90 de uma empresa estatal na província de Heilongjiang, no nordeste da China, Yang se envolveu nos últimos anos com a defesa de camponeses que perderam suas terras e não receberam indenização adequada. O período em que ele está preso será deduzido da pena de cinco anos. O advogado de Yang, Li Fangping, ainda não decidiu ainda se vai recorrer da decisão. Segundo ele, a chance de que ela seja modificada é nula.   A apropriação indevida de terras de vilas rurais por projetos industriais e de urbanização é um problema comum na China. Muitas vezes, as empresas que ficam com as terras contam com o apoio de representantes locais do Partido Comunista ou de líderes corruptos das próprias vilas rurais.   Yang coletou as 10 mil assinaturas principalmente entre camponeses de sua província. Heilongjiang é uma das três províncias chinesas localizadas na Mandchúria, que durante o auge do comunismo era sede de enormes indústrias pesadas de propriedade do Estado. Com as reformas econômicas implantadas a partir de 1978, a região entrou em decadência e milhões de trabalhadores perderam seus empregos, o que aumentou o grau de tensão social.   Em outubro do ano passado, a irmã de Yang, Yang Chunping, afirmou que ele havia sido torturado na prisão para confessar o suposto crime de subversão do poder do Estado. "Meu irmão não é um criminoso. Ele estava tentando ajudar os camponeses a recuperarem suas terras", declarou na época à Associated Press. "Como isso pode ser chamado de crime?", ressaltou.   Segundo a Anistia Internacional, antes de ser preso no ano passado, Yang Chunlin havia sido detido quatro vezes em 2006 por envolvimento em ação judicial iniciada por 40 mil camponeses que perderam suas terras sem receber compensação adequada. Ainda nesta semana, deve ser anunciada a sentença de Hu Jia, outro ativista político chinês acusado de subversão.   Hu Jia é responsável por um manifesto com críticas à situação dos direitos humanos em seu país, chamado A verdadeira China e as Olimpíadas. Ele também é defendido pelo advogado Li Fangping, que acredita que seu cliente pode ser condenado a até cinco anos de prisão.   Sob ataque internacional por causa da repressão aos protestos pró-independência no Tibete, o governo de Pequim conseguiu que o governo da Malásia cancelasse um show de dança que faria referência à Falun Gong, a seita religiosa banida da China em 1999. O espetáculo aconteceria no fim de semana e era organizado pela estação de TV New Tang Dynasty, sediada em Nova York, que a China considera porta-voz da Falun Gong.   "Estando ou não relacionado, é legal. Eles não têm o direito de interferir desta maneira", declarou Wong Mei Yee, da empresa organizadora do evento. Wong disse que 2 mil ingressos haviam sido vendidos e que o cancelamento trará um prejuízo à estação de TV de US$ 31.800.

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