China condena cobertura e HRW pede observadores no Tibete

Pequim aumenta a censura de toda a imprensa internacional que tenta informar sobre os protestos em Lhasa

Efe,

19 de março de 2008 | 02h23

O Governo chinês afirmou nesta quarta-feira, 19, que está indignado com a cobertura "escandalosa e hostil" dos distúrbios em Lhasa da imprensa estrangeira, que não pode entrar no Tibete, e cujas informações estão censuradas em toda a China. Enquanto isso, a ONG Human Rights Watch (HRW) exige que a China permita o acesso imediato de observadores independentes. Veja também:Entenda os protestos no TibeteDalai-lama pode renunciar se violência se agravar no TibeteChina acusa dalai-lama de ser responsável por distúrbios Conselho da ONU deve manter silêncio sobre crise no Tibete "Alguns veículos de comunicação ocidentais deformaram intencionalmente os fatos e descreveram graves crimes como protestos pacíficos, para caluniar nossos esforços legítimos de manter a estabilidade social", disse Ragdi, um funcionário do Governo tibetano citado pela agência Xinhua. As declarações de Ragdi, nascido na região tibetana e ex-presidente do Comitê Permanente da Assembléia Nacional Popular (Legislativo), acontecem enquanto Pequim aumenta a censura de toda a imprensa internacional que tenta informar sobre os protestos em Lhasa. Alguns sites estão praticamente inacessíveis na China, incluindo o popular o "YouTube", onde era possível assistir a vídeos sobre os protestos. A imprensa estatal chinesa continua publicando a versão oficial do país, na qual 16 "civis inocentes" morreram em função da violência incitada pelo "entorno" do Dalai Lama, líder espiritual dos tibetanos. Essa versão nega também que existisse repressão por parte das forças de segurança chinesas, como denunciaram organizações de direitos humanos e o Governo tibetano no exílio. "Sem conhecer até mesmo os fatos básicos sobre os crimes cometidos pelos arruaceiros, alguns meios de comunicação ocidentais afirmam hipocritamente que o Governo chinês não deve suprimir as manifestações pacíficas e o respeito aos direitos humanos", disse Ragdi. Observadores independentes Além de pedir a presença de observadores independentes no Tibete, a ONG Human Rights Watch (HRW) assinalou em comunicado que os detidos correm o risco de ser torturados pelas autoridades chinesas. A HRW afirmou que possui provas de casos de tortura e maus tratos contra esses detidos, especialmente os acusados de praticar "atividades separatistas". "Levando em conta a longa e bem documentada história de tortura de ativistas políticos por parte das forças de segurança chinesas, existe o temor fundamentado pela segurança dos detidos recentemente", disse Brad Adams, diretor para a Ásia da HRW. "Somente dando acesso a observadores independentes a China pode passar certa confiança ao mundo de que os detidos não são torturados ou submetidos a maus tratos", acrescentou. As autoridades chinesas anunciaram que os participantes dos protestos que se entregassem receberiam clemência. Acrescentaram que a detenção dos manifestantes era necessária para manter a segurança pública. Segundo a agência oficial Xinhua, pelo menos 105 tibetanos se entregaram à Polícia chinesa por sua participação nas revoltas de Lhasa. O Governo regional tibetano anunciou as rendições, que acontecem após o fim do ultimato dado pela China, na última segunda-feira.

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