China condena dissidente chinês e UE pede sua libertação

Hu Jia, ativista dos direitos humanos, foi condenado a 3 anos e meio de prisão por subversão

Efe e Associated Press,

03 de abril de 2008 | 00h26

O ativista chinês dos direitos humanos Hu Jia, de 34 anos, foi condenado a três anos e meio de prisão por subversão, informou na manhã desta quinta-feira, 3, em Pequim seu advogado, Li Fangping. Hu, que declarou inocência num julgamento fortemente criticado por governos estrangeiros, tem dez dias para recorrer da sentença. A União Européia pediu para Pequim libertar imediatamente o dissidente.   "Não é o resultado que desejávamos, nem o ideal, mas era algo esperado, levando em conta casos similares anteriores", disse Li Jingsong, um dos advogados de Hu, ao confirmar a sentença do tribunal de Pequim. Li Fangping, outro defensor de Hu, assinalou que o dissidente tem 10 dias para apelar da sentença, mas informou que isso "dependerá de sua decisão".   Em setembro, Hu e o advogado Teng Biao divulgaram o documento "A Real China e a Olimpíada", no qual relacionam casos de violações dos direitos humanos por parte do governo. Hu foi preso em dezembro, enquanto sua mulher, Zeng Jinyan, foi mantida em prisão domiciliar. Em março, em entrevista ao Estado, Li Fangping disse que o tribunal e os promotores estavam do mesmo lado e ele só teve 20 minutos para apresentar os argumentos de defesa.   Várias das entrevistas que concedeu foram usadas pela acusação para pedir a condenação por "incitação à subversão contra o Estado", um crime que com freqüência é aplicado a dissidentes e presos políticos.   A sentença da justiça chinesa, que também inclui a privação dos direitos políticos do réu por um ano, acontece em um momento no qual ainda não diminuíram as críticas internacionais e os pedidos de boicote às Olimpíadas após o início do conflito no Tibete, em março. A decisão judicial acrescenta que, considerando que o ativista confessou seu crime, a pena foi "benévola", apesar de seus advogados terem afirmado que o chinês se declarou inocente durante o processo.   A Repórteres Sem Fronteiras reagiu rapidamente e com dureza à condenação de Hu, que qualificou de "provocação" da China. Em comunicado, a organização de jornalistas atacou também a União Européia (EU) e o Comitê Olímpico Internacional (COI), acusando-os de serem passivos enquanto "o governo chinês silenciava um porta-voz das vítimas da repressão". A organização reiterou sua chamada a "todos os chefes de governo, chefes de Estado e famílias reais para que boicotem a cerimônia de abertura dos Jogos", que será realizada no dia 8 de agosto.   A organização em defesa de direitos humanos China Human Rights Defenders (CHRD), sediada em Hong Kong, também afirmou estar contra o COI após saber da sentença, dizendo que o comitê "não deve fechar os olhos" diante da perseguição política no país asiático. A organização colocou em dúvida a integridade moral do COI e o criticou por defender os princípios olímpicos, enquanto, ao mesmo tempo a China administra os Jogos de uma forma apolítica.   A resposta oficial da China às críticas foi a habitual: em entrevista coletiva o porta-voz do Ministério de Assuntos Exteriores Jiang Yu disse que a sentença "cumpre a lei chinesa, em que todos os cidadãos são iguais". Sobre as críticas das ONGs, Jiang afirmou que a lei da China "não pode parar pelos Jogos Olímpicos" e exigiu que os críticos "não interfiram nos assuntos internos do país com a desculpa de defenderem os direitos humanos".

Tudo o que sabemos sobre:
Chinadissidentecondenaçãoprisão

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.