China condena dissidente Liu Xiaobo a 11 anos de prisão

Uma corte da China sentenciou hoje o proeminente dissidente Liu Xiaobo a 11 anos de prisão. Apesar de apelos internacionais por sua libertação, ele foi condenado por subversão, após ter pedido amplas reformas políticas e o fim do domínio do Partido Comunista no país. Grupos defensores de direitos humanos denunciaram a punição que, segundo eles, tem também a função de advertência para outros que questionam um sistema político com apenas um partido.

AE-AP, Agencia Estado

25 de dezembro de 2009 | 13h33

Liu foi coautor de uma pouco usual petição direta pela libertação política da China, chamada Estatuto 08. Ele foi detido pouco antes de ter difundido o texto, em dezembro do ano passado. Mais de 300 pessoas, entre elas alguns dos principais intelectuais da China, firmaram a petição.

O veredicto foi emitido pela Corte Popular Intermediária Número 1 de Pequim, após um julgamento de duas horas realizado na quarta-feira. Os promotores acusaram Lui por delitos "graves". "Tudo o que posso dizer-lhes agora é que são 11 anos", disse hoje a mulher do acusado, Liu Xia, em entrevista. Diplomatas relataram que o dissidente também perdeu seus direitos políticos por dois anos adicionais. Liu poderia pegar até 15 anos de prisão pelo delito de subverter o poder do Estado.

A Fundação Dui Hua, um grupo defensor dos direitos humanos sediado em San Francisco, nos Estados Unidos, comunicou que se tratava da sentença mais longa de que a entidade tem notícia desde o estabelecimento desse delito de incitação à subversão, em 1997. Liu é a única pessoa presa por organizar a petição. Outros que firmaram o texto estão sendo investigados. O advogado de Liu, Shang Baojun, disse que tem dez dias para apelar da sentença. Os EUA e a União Europeia (UE) já haviam pedido que Pequim liberasse o dissidente.

Tudo o que sabemos sobre:
ChinajulgamentoLiu Xiaobocondenação

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.