China condena dois à morte por leite adulterado

Leite contaminado com melamina causou a morte de seis crianças e deixou mais de 300 mil doentes

Agências internacionais,

22 de janeiro de 2009 | 08h05

Um tribunal chinês condenou dois homens à morte uma ex-executiva à prisão perpétua nesta quinta-feira, 22. As condenações são ligadas ao escândalo do leite contaminado que resultou em questionamentos públicos e acusações de acobertamento. A Justiça condenou Zhang Yujun, de 40 anos, à morte por administrar uma fábrica que é supostamente a maior fabricante da China de melamina, a substância química industrial adicionada ao leite aparentemente para que o produto passasse em exames para conferir o nível de proteína, disse o porta-voz Wang Wei. Geng Jinping também foi condenado à morte por produzir e vender comida contaminada. Um terceiro homem, Gao Junjie, teve sua pena de morte suspensa, que é geralmente permutada para prisão perpétua.   O Tribunal Popular Intermediário de Shijiazhuang condenou à prisão perpétua Tian Wenhua, de 66 anos, a ex-gerente-geral e ex-executiva-chefe do Sanlu Group Co., a empresa de lácteos que está no centro da crise. Ela é a funcionária de mais alto cargo acusada no escândalo de segurança alimentar. Durante seu julgamento, em dezembro, Tian assumiu sua culpa pela produção e venda de produtos falsos ou abaixo do padrão depois que uma fórmula infantil contaminada com o produto químico melamina foi responsabilizada pela morte de pelo menos seis bebês e por danos à saúde de cerca de 300 mil.   Alguns parentes das vítimas que reuniram-se do lado de fora do tribunal, sob o forte frio do norte da China, disseram que Tian teve uma pena leve. "Minha neta morreu. Ela (Tian) de deveria morrer também, ela deveria ser morta a tiros. Ela trouxe muitos danos ao público, às crianças", disse Zheng Shuzhen, da Província de Henan, que disse que sua neta de um ano morreu em junho depois de bebe o leite da empresa Sanlu.   Dentre as 12 sentenças anunciadas, duas outras prisões perpétuas foram decretadas. Já os outros acusados receberam penas de cinco a 15 anos de prisão. Um advogado das famílias das vítimas disse que as sentenças de morte e de prisão perpétua são "cruéis e pesadas". "Foi um problema do sistema, mas eles foram trazidos ao tribunal como bodes expiatórios", disse Li Fangping. "Nenhum funcionário do governo foi condenado por não cumprir com suas responsabilidades de inspeção".   As sentenças, que são as primeiras decretadas após o escândalo, e o anúncio de um plano de compensação para as vítimas parecem ser parte de uma tentativa do governo de pôr fim à crise. Durante o julgamento, em 31 de dezembro, Tian admitiu que sabia dos problemas dos produtos fabricados por sua empresa meses antes de informar as autoridades. O escândalo surgiu em setembro. Ela também foi condenada a pagar uma multa de 20 milhões de yuans (US$ 2,92 milhões) e o Sanlu, que teve sua falência decretada, terá de pagar uma multa de 50 milhões de yuans (US$ 7,3 milhões).   Um reflexo da sensibilidade do julgamento foi o fato de que dezenas de policias fizeram a guarda do prédio do tribunal e isolaram as áreas adjacentes com barreiras. Os policiais disseram para os parentes das vítimas se manterem a cerca de 100 metros de distância do local.   O Sanlu, junto com as outras 21 empresas de lácteos envolvidas no escândalo, propôs um plano de compensação de 1,1 bilhão de iuans (160 milhões). Mais de 200 famílias abriram processos exigindo compensação maior e tratamento de longo prazo para seus filhos. As investigações mostraram que intermediários que vendiam leite para as empresas de lácteos diluíam o leite e o misturavam com melamina, substância rica em nitrogênio, para que o produto passasse em testes de qualidade que medem os níveis de proteína. Esses testes geralmente medem a quantidade de nitrogênio no produto.   Normalmente usada para fazer plásticos e fertilizantes, a melamina pode provocar pedras nos rins e falência desses órgãos se ingerida em grande quantidade. A descoberta de melamina em produtos lácteos exportados como chocolate e iogurte provocou uma série de "recalls" de produtos no exterior.   Matéria atualizada às 12h55.

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