China condena esposa de político à morte, mas sentença é suspensa

Um tribunal chinês sentenciou nesta segunda-feira a advogada Gu Kailai à pena de morte, mas suspendeu a execução da esposa de um ex-dirigente do alto escalão do Partido Comunista envolvido em um grave escândalo.

JOHN RUWITCH, Reuters

20 de agosto de 2012 | 09h41

A suspensão da pena capital indica que Gu deve passar o resto da vida presa, depois de ser condenada pelo assassinato do empresário britânico Neil Heywood, no ano passado. O julgamento dela foi considerado o mais relevante na China em três décadas.

Agora, o Partido Comunista tem pela frente uma nova tarefa, politicamente mais perigosa: como lidar com Bo Xilai, marido de Gu, um político ambicioso e bem relacionado que dirigia o partido na região de Chongqing. Sua queda, no ano em que o PCC realiza seu processo de transição decenal, expôs divisões internas.

"Sinto que o veredicto é justo e reflete plenamente o respeito especial da corte pela lei, seu respeito especial pela realidade e, em particular, seu respeito especial pela vida", disse Gu durante a audiência, em imagens transmitidas pela TV oficial.

Gu, 53 anos, vestia camisa branca e terno preto. De pé, com expressão vazia, manteve as mãos postas diante de si, e fez uma pausa num momento da sua fala para buscar as palavras certas.

Durante o julgamento, em 9 de agosto, ela admitiu ter envenenado Heywood em novembro, por causa de ameaças feitas pelo britânico contra o filho dela, Bo Guagua, em decorrência de uma disputa empresarial.

Uma fonte judicial disse que o tribunal concluiu que Heywood de fato fez ameaças a Bo Guagua, mas que não chegou a agir. O tribunal também entendeu que as ações de Gu refletiam uma "deficiência psicológica", de caráter não revelado.

Gu poderá ser executada se cometer um novo crime nos próximos dois anos.

O tribunal de Hefei (leste) informou também que Zhang Xiaojun, assessor da família Bo, foi condenado a nove anos de prisão por cumplicidade no homicídio do britânico.

"Como ambos os réus declinaram de recorrer, isso marca o fim das coisas", disse à Reuters o advogado Li Renting, representante de Zhang.

Quatro policiais também foram condenados nesta segunda-feira a penas de 5 a 11 anos de prisão por tentarem proteger Gu das investigações -- fato que pode ser muito nocivo para Bo, já que estabelece oficialmente que houve uma tentativa de acobertar os fatos.

Alguns analistas dizem que o Partido Comunista não deverá tentar processar Bo, e observam que seu nome não foi citado no julgamento da esposa nem dos quatro policiais. Mas He Weifang, professor de Direito da Universidade de Pequim, considera que Bo pode ser submetido a julgamento depois que o partido decidir como lidar com ele.

"Acho que há uma gama de opções, como crimes econômicos, acobertamento de crime ou obstrução da Justiça, que poderiam ser usadas contra ele", afirmou He. "Não acho que possamos dizer que Bo Xilai esteja livre disso."

Bo até agora só foi acusado de violações não-especificadas da disciplina partidária, o que provavelmente inclui corrupção e abuso de poder.

(Reportagem adicional de Chris Buckley e Benjamin Kang Lim em Pequim)

Tudo o que sabemos sobre:
CHINABOESPOSAJULGAMENTO*

Encontrou algum erro? Entre em contato

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.