China condena reportagem sobre riqueza da elite em paraísos fiscais

O governo chinês condenou nesta quarta-feira uma reportagem sobre a riqueza da elite do país sendo escondida em paraísos fiscais no exterior como ilógica e com segundas intenções, enquanto bloqueou sites e censurou menções à história online.

Reuters

22 de janeiro de 2014 | 13h31

A reportagem, resultado de uma investigação do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos, foi publicada em jornais internacionais como o britânico The Guardian e o espanhol El País.

Segundo a reportagem, parentes de líderes chineses, incluindo o presidente Xi Jinping e o ex-premiê Wen Jiabao, estão entre os membros da elite da China que fazem uso dos paraísos fiscais como as Ilhas Virgens Britânicas.

A Reuters não teve condições de verificar de forma independente o conteúdo da história.

O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da China, Qin Gang, afirmou não saber dos "detalhes da situação" ao ser questionado sobre a reportagem.

"Mas do ponto de vista de um leitor, a lógica nos artigos relevantes é difícil para as pessoas acreditarem. Isso só pode levar as pessoas a pensarem que há uma intenção por trás disso", disse durante entrevista coletiva diária.

Questionado se a China iria investigar os relatos e abordar os paraísos fiscais para ter detalhes, Qin afirmou: "Aqueles que estão limpos, estão limpos, e aqueles que estão sujos, estão sujos", sem fornecer mais informações.

O Escritório de Informação do Conselho de Estado e o órgão anticorrupção do Partido Comunista não responderam aos pedidos de comentários.

Os sites dos jornais The Guardian, El Pais, Global Mail e Le Monde, que divulgaram a reportagem, estavam inacessíveis na China.

Os censores parecem estar trabalhando duro para evitar que o tema seja discutido no Sina Weibo, popular serviço de microblog na China similar ao Twitter, que já é objeto de pesada censura.

Buscas por palavras-chave levam a uma página em branco.

(Reportagem de Ben Blanchard)

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