China confirma esta semana redução de cúpula do partido

A identidade dos futuros presidente e premiê já é conhecida, a novidade será quem integrará o Comitê Permanente do Politburo

CLÁUDIA TREVISAN, CORRESPONDENTE / PEQUIM, O Estado de S.Paulo

11 de novembro de 2012 | 02h08

Os nomes dos futuros dirigentes da China serão conhecidos na quinta-feira, quando os novos integrantes do Comitê Permanente do Politburo aparecerão diante da imprensa em uma das salas do Grande Palácio do Povo, na Praça Tiananmen. Dois deles já são conhecidos desde 2007, quando foi realizado o congresso anterior: o futuro secretário-geral e presidente da China, Xi Jinping, e o novo primeiro-ministro, Li Keqiang. A surpresa será a identidade dos demais integrantes do organismo máximo de comando do partido, que deve ter sua composição reduzida de nove para sete pessoas.

O congresso do partido vai terminar na quarta-feira e uma de suas tarefas será a escolha dos 371 integrantes do 18.º Comitê Central - dos quais apenas 204 têm direito a voto. A lista de candidatos ao Comitê Central foi elaborada sob a direção do atual Comitê Permanente do Politburo e seus integrantes superam por pequena margem o número de vagas - o que limita a possibilidade de escolha dos delegados.

Filiados da organização elegeram 2.270 representantes para participar do congresso aberto na quinta-feira, mas 2 deles morreram nos últimos meses, o que reduziu o número de delegados a 2.268. Na quinta-feira, os sete (ou nove) novos integrantes do Comitê Permanente do Politburo vão entrar em fila em uma das salas do Grande Palácio do Povo, na Praça Tiananmen, o coração político da China.

A ordem dos futuros líderes vai revelar o seu ranking dentro do organismo e suas funções - cada membro do comitê é responsável por um setor, como economia ou ideologia, por exemplo. Se o número de integrantes realmente passar de nove para sete, a área de segurança deixará de ser responsabilidade direta do organismo e passará a ser supervisionada por um dos demais 25 integrantes do Politburo, a segunda instância na hierarquia de poder do partido.

A mudança reduziria o poder do setor, que se expandiu de maneira espetacular nos últimos cinco anos sob o comando de Zhou Yongkang, um dos sete integrantes do atual Comitê Permanente do Politburo que vão se aposentar nesta semana. Os únicos que permanecerão no organismo são Xi Jinping e Li Keqiang. Os outros cinco membros do grupo serão anunciados na quinta-feira e suas identidades são tão relevantes quanto as dos futuros presidente e premiê.

O perfil conservador ou reformista de cada um deverá definir o ritmo de mudanças da China nos próximos cinco anos quando outro congresso do partido mudará parte dos integrantes do comitê permanente. No sistema de direção colegiada, Xi precisará do apoio de seus pares para aplicar propostas. Líderes ligados ao ex-presidente Jiang Zemin aparecem como favoritos para uma vaga no organismo de cúpula: Zhang Gaoli, chefe da cidade de Tianjin, Zhang Dejiang, que substituiu Bo Xilai em Chongqing, Yu Zhengsheng, comandante de Xangai, e Wang Qishan, responsável por questões econômicas no atual gabinete.

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