AFP PHOTO / ANTHONY WALLACE
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China confirma prisão de três editores de Hong Kong

Funcionários da editora Mighty Current, conhecida por publicar obras desconfortáveis para as autoridades chinesas, são acusados por Pequim de estarem 'envolvidos em atividades ilegais'

O Estado de S. Paulo

05 de fevereiro de 2016 | 15h05

PEQUIM - A polícia chinesa confirmou que três editores de livros de Hong Kong desaparecidos desde o ano passado se encontram detidos, em um caso sem precedentes, que provocou acusações de que Pequim age com total desrespeito à lei.

A confirmação das prisões é vista como uma ameaça às garantias legais de que dispõe a ex-colônia britânica, que goza de um estatuto conhecido como "um país, dois sistemas".

Todos os três trabalhavam para Mighty Current, uma editora de Hong Kong conhecida por publicar obras desconfortáveis para as autoridades chinesas. Dois outros colegas, que também haviam desaparecido em outubro, estão na China continental, segundo as autoridades.

A ONG Anistia Internacional declarou nesta sexta-feira, 5, que as autoridades chinesas mostram um "total desrespeito" ao Estado de direito. "As autoridades chinesas devem parar a sua estratégia de cortina de fumaça e dar uma explicação coerente e completa", declarou o pesquisador para a China da organização, William Nee.

Em um e-mail enviado à polícia de Hong Kong, o Departamento de Segurança Pública da Província de Guangdong informou que Lui Por, Cheung Chi Ping e Lam Asa Kee foram presos por estarem "envolvidos em atividades ilegais" e estão sob investigação.

A polícia de Hong Kong respondeu às notificações de seus colegas chineses solicitando participar do acompanhamento das investigações sobre Lui Por, Cheung Chi Ping e Lam Wing Kee, e insistiu que quer ouvir Lee Bo o mais rápido possível.

Os rastros dos três homens foram perdidos em outubro, quando viajaram ao sul da China continental.

O paradeiro de Gui Minhai, que também tem nacionalidade sueca e que desapareceu durante uma viagem para a Tailândia, era desconhecido.

Em janeiro, ele apareceu na televisão estatal chinesa alegando que havia retornado para assumir as suas responsabilidades num acidente de trânsito fatal ocorrido onze anos antes.

O departamento de segurança de Guangdong afirmou que os três detidos "são suspeitos de estarem envolvidos em um caso ligado a uma pessoa chamada Gui".

As autoridades regionais também enviaram à polícia de Hong Kong uma carta assinada por Lee Bo, o quinto editor desaparecido, onde alega ter sido informado pelas autoridades do continente que estava sendo procurado e se limita a afirmar que "não há necessidade de contato com a polícia".

Xi Jinping. Legisladores e ativistas acusaram as autoridades chinesas de prenderam Lee em Hong Kong, quebrando as leis que proíbem a polícia de Pequim de atuar neste território. A mulher de Lee confirmou que a letra da carta era a de seu marido.

Algumas pessoas próximas aos editores acreditam que eles foram detidos pelo lançamento de um livro sobre a vida amorosa do líder chinês Xi Jinping. O autor do livro, o escritor chinês residente nos Estados Unidos Nuo Xi pediu às autoridades para libertar os editores.

"Eles não são responsáveis por isso. Eu sou responsável. Eu quero dizer ao governo chinês para libertar estes cinco rapazes", afirmou o autor à BBC.

Washington também reagiu aos desaparecimento, pedindo na segunda-feira que a China "esclareça a situação dos cinco editores, as circunstâncias de seu desaparecimento e que permita que regressem às suas casas". / AFP e EFE

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