China confirma teste de míssil anti-satélite

A China confirmou nesta terça-feira ter testado um míssil anti-satélite, cerca de duas semanas depois de a ação ter alarmado o mundo e levantado questões sobre as intenções de Pequim.Tanto Washington quanto Tóquio expressaram preocupação com o teste de 11 de janeiro, no qual a China usou um míssil para destruir um de seus satélites meteorológicos. Os dois países consideraram o teste um passo na militarização do espaço sideral e exigiram explicações de Pequim.Nos primeiros comentários públicos da China sobre o teste, o porta-voz do Ministério do Exterior, Liu Jianchao, assegurou que Pequim demonstrou uma "atitude responsável" ao oferecer explicações aos EUA e ao Japão e insistiu que os chineses são "contra a militarização do espaço e qualquer corrida armamentista"."A China não tem nada a esconder, não ameaçamos nenhum país", afirmou. "Informamos ao Japão e aos Estados Unidos ao ver sua preocupação. Se querem saber mais, que perguntem", disse. Em resposta, o ministro porta-voz do Executivo japonês, Yasuhisa Shiozaki, qualificou a explicação de "insuficiente"."Para o Japão, a decisão de destruir um satélite com um míssil balístico gera uma preocupação profunda sobre o uso seguro do espaço e o ponto de vista da segurança nacional. A explicação da China é insuficiente", apontou. "O fracasso da China em assegurar transparência neste assunto só levará a suspeitas", indicou Shiozaki. "Não é suficiente dizer apenas que se realizou um experimento. É natural que o Japão continue exigindo uma explicação a fundo."No entanto, a China ainda declarou nesta terça-feira que havia avisado a comunidade internacional sobre os testes. Segundo as agências de espionagem americanas, um míssil balístico terra-ar de médio alcance foi disparado do Centro Espacial de Xichang, na província central chinesa de Sichuan, e destruiu um velho satélite posicionado a mais de 850 quilômetros de altitude. Com o lançamento, o gigante asiático se transforma no terceiro do mundo a efetuar este tipo de teste, depois dos feitos na década de 80 pelas superpotências da Guerra Fria: EUA e União Soviética. A nova arma indica que China a pode derrubar satélites de espionagem de outros países, o que gerou temores especialmente nos EUA e no Japão, frente a uma possível corrida armamentista espacial.O governo de Taiwan também expressou preocupação com o rápido aumento do número de mísseis chineses apontados para a ilha, que chegam a 900, e considerou que o crescente poderio militar chinês é um sério perigo para a paz na região."Os relatórios sobre testes chinesas com um míssil capaz de destruir um satélite mostram que a China atua como uma superpotência militar, o que é ruim para a segurança regional", disse o porta-voz governamental, Cheng Wen-tsang.Relatórios do Pentágono, citados por funcionários taiwaneses, afirmam que a China mantém 900 mísseis perto de Taiwan. O governo taiwanês tem anunciado sua preocupação com o perigo militar chinês.A China considera a ilha como parte de seu território. Taiwan, por sua vez, se declara um país soberano e independente, herdeiro da república fundada em 1911 e que transferiu sua sede para Taipei, em 1949, após a derrota de seu Exército para o do Partido Comunista, liderado por Mao Tsé-tung.

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