China conta mais de mil mortes por tremor

Sem comida, desabrigados dormem ao relento, sob temperatura de até -5° C

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estado de S.Paulo

17 de abril de 2010 | 00h00

O total de mortos do terremoto que abalou a província chinesa de Qinghai na terça-feira (manhã de quarta-feira na China) subiu para 1.144 ontem. Há 417 desaparecidos. Pela manhã autoridades chinesas falavam em 791 mortos e 294 desaparecidos.

A dificuldade de comunicação entre equipes médicas e de resgate e os moradores da área atingida é um dos fatores que dificultam o trabalho de socorro, segundo Wang Yu, do Ministério da Saúde, em Pequim.

Quase todos os 11.744 feridos são tibetanos, a maioria dos quais não fala mandarim, a língua oficial da China. Do outro lado, a maior parte dos médicos e enfermeiras que tratam os feridos são chineses han, a etnia predominante no país, que não falam tibetano. "É difícil comunicar-se para resgatar pessoas ou tratar ferimentos", disse Wang.

O terremoto de 7,1 graus deixou ainda 100 mil desabrigados. Ontem, continuavam as buscas pelos desaparecidos, soterrados nos escombros das casas, escolas e templos que desabaram com o tremor. O número de estudantes mortos subiu para 103. E o de professores, para 12.

Pela manhã, uma menina de 13 anos foi retirada viva das ruínas de um hotel. Mas as chances de encontrar sobreviventes são cada vez menores. "As primeiras 72 horas oferecem as maiores possibilidades de sobrevivência", disse Xi Mei, da equipe médica de resgate, à agência Nova China. Esse prazo vence na manhã de hoje (horário local).

Dos feridos, 1.192 estão em estado grave. Até ontem, 1.060 haviam sido transferidos para outras cidades. Mas o tratamento das vítimas é dificultado pelo isolamento e as condições geográficas da cidade de Yushu, a mais danificada pelo tremor. "Não há cidades com muitos hospitais nas proximidades. A cidade grande mais próxima é Xining, a capital de Qinghai, a 800 quilômetros", disse Wang Yu.

Os hospitais de Yushu estão sobrecarregados e não há remédios nem equipamentos médicos suficientes. "Quase todos os hospitais e clínicas de Yushu desabaram", disse o representante do Ministério da Saúde. O fornecimento de eletricidade e água encanada também continuava interrompido ontem.

As autoridades locais estimam que 85% das casas de Yushu foram destruídas. As construções eram feitas com tijolos de barro e madeira e cederam facilmente ao tremor. A maioria dos que sobreviveram passou as últimas três noites ao ar livre, sob temperaturas que chegam a -5º C depois que o sol se põe.

Muitos não tinham o que comer. "Precisamos de tendas e comida o mais rápido possível", disse ao jornal oficial China Daily o tibetano Tsenring, que dormia ao relento com a mulher e quatro filhos.

Ontem à tarde, caminhões com água e alimentos chegaram a Yushu, vindos de Xining. Yushu tem um aeroporto pequeno, sem capacidade de suportar o tráfego aéreo necessário para a entrega dos suprimentos. O trajeto por terra de Xining, onde está o maior aeroporto da região, demora 12 horas. Mas tempestades de areia comuns nessa época do ano diminuíam a visibilidade na estrada ontem, o que tornava o percurso mais demorado.

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