China continua vivendo além de seu recursos ambientais--WWF

A China está vivendo além de seus recursos ambientais na tentativa de satisfazer sua enorme e crescente população urbana, de acordo um relatório do Fundo Mundial para a Natureza (WWF, na sigla em inglês).

DAVID STANWAY, REUTERS

15 de novembro de 2010 | 15h56

O relatório indicou que as mudanças nos padrões de consumo e a modificação dos estilos de vida pela migração do campo para a cidade estão exercendo mais pressão sobre o já ameaçado meio ambiente, e as consequências afetam o mundo inteiro.

Se o planeta consumisse o mesmo nível de recursos que a China em 2007, seriam necessários 1,2 planetas, frente a 0,8 em 2003, segundo os cálculos do Relatório sobre Pegada Ecológica da China do WWF, publicado na segunda-feira.

Em termos comparativos, se o nível de consumo global fosse igual ao dos Estados Unidos, seriam necessários 4,5 planetas. Em troca, se fosse equiparado à Índia, seriam necessários apenas 0,5, disse o estudo.

"O que o relatório nos diz é que a pegada ecológica da China é ao redor de 20 por cento superior ao que o planeta pode suportar", disse James Leape, diretor geral do WWF International, à Reuters depois do anúncio do estudo.

"Isso nos coloca no meio do total, mas obviamente num caminho que não se sustenta a longo prazo", acrescentou.

O impacto ecológico da China -o uso da terra cultivável, as floretas, a indústria pesqueira e a terra urbana, além da emissão de carbono- chegou a 2,2 hectares globais (gha) per capita em 2007, um número superior à capacidade biológica per capita desejada, de somente 1,8 gha, mas ainda assim 40 por cento menor que a média mundial de 2,7 gha.

Apesar de a China ter apresentado um avanço na capacidade biológica aumentando o rendimento de suas lavouras e melhorando a eficiência nas últimas cinco décadas, o consumo segue crescendo em ritmo muito maior.

O rápido crescimento chinês tem se transformado num dos temas-chave para as negociações sobre mudanças climáticas. Pequim insiste que um novo pacto deve colocar a maior parte da responsabilidade sobre os países ricos e deixar que o mundo em desenvolvimento continue crescendo sem obstáculos.

Autoridades e acadêmicos acusaram os críticos ocidentais de hipocrisia, dizendo que não só seu povo tem direito à prosperidade, mas que seu crescente uso da energia e recursos foi causado em parte pela torrente de bens baratos que a China tem exportado para todo o mundo.

Os números do WWF seriam ainda piores, porém, se fossem computados dados sobre o mercado exportador chinês, que o estudo excluiu, disse Leape.

A Agência Mundial de Energia afirmou anteriormente que a China já tinha superado os Estados Unidos como maior consumidor mundial de energia e, ainda com níveis per capita muito inferiores, alguns temem que o consumo chinês não chegue a seu teto ainda em várias décadas.

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