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AFP PHOTO / GREG BAKER
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China convoca parlamento para mostrar retorno à normalidade

Reunião de quase 3 mil deputados em Pequim pretende demonstrar demonstrar força no âmbitos internacional e acalmar população afetada pela recessão econômica provocada pela pandemia

Sébastien Ricci, AFP

29 de abril de 2020 | 09h16

PEQUIM - A sessão anual do Parlamento Chinês será realizada no fim de maio. É o que anunciaram autoridades do país asiático nesta quarta-feira, 29, em uma clara tentativa de sinalizar para o mundo sobre seu retorno à normalidade após a pandemia do novo coronavírus. A sessão é um evento grandioso, que se celebra anualmente desde 1978 e reúne cerca de 3 mil deputados dentro do majestoso Palácio do Povo de Pequim. Neste ano, a sessão começará no dia 22 de maio.

Para o cientista político Willy Lam, da Universidade Chinesa de Hong Kong, a realização do encontro é um sinal de força do regime chinês. "A mensagem é que, sob a direção de Xi Jinping, o país controlou muito bem a epidemia, muito melhor que os Estados Unidos", disse Lam. Nos EUA, a pandemia já matou mais cidadãos do que a Guerra do Vietnã.

A grande sessão do Parlamento Chinês deveria ter sido realizada no começo de março, mas a pandemia fez com que o evento tivesse que ser adiado. Na realidade, até este momento de melhora progressiva, reunir 3 mil pessoas em Pequim parecia impensável, considerando as severas medidas de confinamento adotadas para toda a população.

No entanto, segundo a agência estatal Xinhua (China Nova, em português), as condições para a reunião do Parlamento são favoráveis, pois, além da melhora na questão sanitária, a vida econômica e social começa a retomar, pouco a pouco, o ritmo normal.

Apesar disso, o governo chinês ainda se preocupa com os casos importados da doença, apesar da flexibilização. Pequim revogou a quarentena obrigatória de 14 dias a todas as pessoas que chegam à capital, mantendo-a apenas para viajantes que chegam de Hubei ou do estrangeiro.

A reunião dos deputados vai durar 10 dias. Neste ano, a expectativa é de que sejam apresentadas 17 leis sobre saúde e higiene, segundo a agência chinesa. Entre as normas, também estão proibições ao comércio ilegal de animais selvagens e o fortalecimento da legislação para prevenção de epidemias.

Contexto da convocação

O novo coronavírus surgiu no final do ano passado, sendo identificado inicialmente na cidade de Wuhan, no centro da China. Cerca de 83 mil pessoas foram infectadas no país, que contabilizou 4.633 mortes. Após demorar a tomar medidas de reação e reprimir quem alertava para o perigo do vírus, o governo chinês tomou medidas radicais, como a instauração de quarentena na província de Hubei e a paralização econômica de boa parte do país.

Convocar o Parlamento neste momento, segundo Willy Lam, é uma prova de que a China está em pé novamente, e que sua máquina ecônomica "volta a rugir". Ainda de acordo com Lam, a convocação tem também um componente de política interna, a fim de tranquilizar os cidadãos depois da recessão econômica registrada no primeiro semestre.

A sessão anual do Parlamento também é o momento de anunciar a previsão de crescimento anual da economia. No entanto, observando o contexto econômico incerto, talvez a previsão oferecida seja para os anos seguintes, segundo a empresa Trivium China, especializada em economia.

Os últimos cálculos do Fundo Monetário Internacional (FMI) estimam que a China terá um crescimento moderado, alcançando 1,2% em 2020, chegando a 9,2% em 2021, quando a economia mundial voltar a funcionar./ AFP

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