AFP PHOTO / KCNA
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China corta importação de carvão de Pyongyang 

Para analistas, gesto pode ser visto como ato de boa vontade de Pequim a Trump 

Cláudia Trevisan / Correspondente, Washington, O Estado de S. Paulo

20 Fevereiro 2017 | 23h03

A China anunciou no fim de semana a suspensão de todas as suas importações de carvão da Coreia do Norte, o que vai acabar com uma das principais fontes de receita do regime de Kim Jong-un e aumentar o impacto das sanções impostas ao país pela ONU. 

Ao mesmo tempo, Pequim defendeu a retomada de negociações sobre o programa nuclear de Pyongyang. A medida valerá até o fim do ano e foi adotada menos de uma semana depois do teste de míssil balístico realizado pela Coreia do Norte. Ela também ocorre em um ambiente conturbado pelo assassinato de Kim Jong-nam, o meio-irmão do ditador Kim Jong-un, que vivia em Macau sob proteção do governo chinês. Os sul-coreanos suspeitam que sua execução tenha sido ordenada pelo dirigente norte-coreano.

A venda de carvão representa 42% das exportações da Coreia do Norte para a China, que é o destino de 90% de todas as vendas externas do país. Os embarques do produto foram alvo de sanções da ONU em março. Ainda assim, a China manteve suas compras por exceções abertas para casos em que a interrupção ameaçasse a “subsistência” do exportador.

A mudança de posição representa um endurecimento de Pequim com o aliado regional e foi interpretado por analistas como um sinal de boa vontade em relação ao governo de Trump. 

Desde a campanha, ele pressiona a China a adotar uma posição mais dura em relação ao vizinho, com o objetivo de conter suas ambições nucleares. Em entrevista à Fox News, no mês passado, Trump disse que Pequim tem “controle total” sobre a Coreia do Norte. “A China deveria resolver o problema. E, se eles não resolverem o problema, nós faremos com que o comércio seja muito difícil para a China.”

Na véspera do anúncio da suspensão das importações de carvão, o secretário de Estado americano, Rex Tillerson, havia pedido ao ministro das Relações Exteriores da China, Wang Yi, que seu governo usasse “todos os meios” à disposição para conter a Coreia do Norte. 

Depois de encontro entre ambos na Alemanha, Wang defendeu a retomada das negociações em torno do programa nuclear do país, para que seja quebrado o “ciclo negativo” de “teste nuclear, sanções, teste nuclear e de novo sanções”. 

Wang disse ser crucial que EUA e Coreia do Norte cheguem a uma “decisão política”. Os dois países continuam tecnicamente em guerra, já que o conflito na Península Coreana foi encerrado em 1953 com um armistício e não um acordo de paz.

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