China cria base militar para combater ataques hackers

Objetivo é garantir a confidencialidade da informação militar

Efe,

22 de julho de 2010 | 05h56

PEQUIM - O Exército de Libertação Popular (ELP) chinês inaugurou sua primeira base militar cibernética para combater ataques e ameaças informáticas, informa nesta quinta-feira, 22, o jornal oficial em inglês Global Times, ligado ao Diário do Povo, órgão porta-voz do Partido Comunista da China (PCCh).

"A instalação da base significa que nosso exército está aumentando sua capacidade e desenvolvendo potencial militar para a guerra baseada na informação", assegurou ao jornal uma fonte anônima do quartel-general do ELP.

A fonte, no entanto, não informa detalhes sobre a localização geográfica da base, sobre seu orçamento ou sobre os recursos humanos e materiais empregados.

O objetivo, diz, é "construir os muros" para garantir a confidencialidade da informação militar, embora tenha negado que se tratasse de um projeto para desenvolver ataques informáticos.

"É uma base defensiva para a segurança informativa, não um quartel para organizar ofensivas de guerra cibernética", garantiu.

A criação desta instalação foi "uma ação estratégica ordenada pelo presidente da China, Hu Jintao, para tramitar estes temas quando a China entra na era da informação".

A China é o país do mundo com maior número de internautas, mais de 420 milhões segundo os últimos dados oficiais, mas também um dos que pratica uma maior censura na gestão de conteúdos da rede.

Nos últimos tempos, o governo esteve envolvido em vários escândalos relacionados com ataques informáticos piratas.

O Google encerrou temporariamente este ano sua versão em mandarim (google.cn), em incidente que começou quando a empresa americana acusou Pequim de piratear contas de e-mail de jornalistas, dissidentes e ativistas pró-direitos humanos hospedadas em seus servidores.

Governos de países como Alemanha, Índia, Nova Zelândia, EUA e Reino Unido também acusaram "hackers" chineses de tentar entrar em seus sistemas informáticos.

Pequim sempre negou estas acusações, assinalando que os ataques são realizados por usuários privados que às vezes também fixam como alvo as páginas oficiais chinesas.

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