China critica dalai-lama na véspera de diálogo com enviados

Representantes do líder tibetano exilado chegam ao país neste sábado, mas só se reúnem no domingo

REUTERS

03 de maio de 2008 | 09h30

A China criticou neste sábado, 3, o dalai-lama como um criminoso, antes das programadas negociações com representantes do líder tibetano exilado, sobre as quais colocou um manto de sigilo. Os enviados do dalai-lama à China se reunirão no domingo com as autoridades do país, na cidade de Shenzhen, para discutir a crise sofrida pelo Tibete nos últimos meses, informou um porta-voz do líder tibetano. "As conversas acontecerão amanhã, mas não devemos lançar nenhum comunicado", disse Tenzin Taklha, que não precisou quem será o interlocutor chinês dos enviados do líder tibetano.   Veja também: A questão tibetana    A mídia estatal chinesa não tem mencionado o encontro, o primeiro desde que começaram os distúrbios no Tibete em março. Mas jornais oficiais continuaram com suas duras críticas contra o dalai-lama e seus partidários, insinuando que o governo não está disposto a ceder. "O patriótico povo do Tibete condena firmemente e denuncia de maneira veemente a extensa lista de crimes cometidos pelo 14.º dalai-lama e seus seguidores", disse o jornal Daily Tibet, segundo o site de notícias oficiais da região (www.chinatibetnews.com). O governo tibetano no exílio na Índia disse que dois enviados de alto escalão viajavam neste sábado rumo à China por meio de Hong Kong para discutir os distúrbios e protestos no Tibete que têm sacudido os preparativos de Pequim para os Jogos Olímpicos e têm gerado críticas no Ocidente. "Eles devem chegar à China... nós não temos grandes expectativas (sobre as conversações)", disse à Reuters Chhime Chhoekyapa, importante assessor do dalai-lama.   A delegação tibetana é formada pelo enviado especial Lodi Gyaltsen Gyari e pelo enviado Kelsang Gyatsen. Os dois, que já atuaram antes como representantes do líder tibetano, terão como missão discutir em "conversas informais" a crise registrada no Tibete desde 10 de março.   O dalai lama está exilado na cidade indiana de Dharamsala desde 1959, após o fracasso de um levante tibetano contra o regime chinês. A China o acusa de buscar a independência do Tibete e de ter incitado os protestos de março na região, nas quais, segundo o Governo chinês, 20 civis morreram, enquanto as autoridades tibetanas no exílio denunciaram 203 mortos.

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