David McNew/Reuters
David McNew/Reuters

China critica histórico dos EUA no combate ao aquecimento global

Segundo os chineses, os americanos são responsáveis por atrasar o cumprimento das metas climáticas traçadas pelo Acordo de Paris devido à sua saída do pacto durante o governo Trump

Redação, O Estado de S.Paulo

16 de abril de 2021 | 20h00

PEQUIM — O governo da China indicou nesta sexta-feira que não está disposto a aceitar a liderança reivindicada pelo americano Joe Biden na questão climática. A Chancelaria chinesa criticou o histórico dos Estados Unidos no que diz respeito ao aquecimento global, em meio a uma visita do enviado climático de Biden, John Kerry, a Xangai.

A tentativa de buscar maior cooperação sino-americana no assunto ocorre uma semana antes da Cúpula de Líderes sobre o Clima, evento virtual organizado pela Casa Branca que reunirá 40 chefes de Estado e governo, entre eles o presidente Jair Bolsonaro.

Em sua entrevista coletiva diária, o porta-voz da Chancelaria chinesa, Zhao Lijian, disse a repórteres que os americanos são responsáveis por atrasar o cumprimento das metas climáticas traçadas pelo Acordo de Paris, firmado em 2015.

“Foram os EUA que anunciaram sua saída do Acordo de Paris em 2017 e pararam de implementar suas metas, o que impediu que o mundo avançasse em direção ao cumprimento dos objetivos do pacto”, afirmou ele, dizendo que os americanos “deveriam ter vergonha” de ter abandonado o pacto e que precisam deixar claro como irão compensar o tempo perdido.

Em junho de 2017, o governo do ex-presidente Donald Trump retirou Washington do pacto, afirmando que seus termos “prejudicariam” a economia americana e iriam pôr o país em “desvantagem permanente”. Horas depois de sua posse, em 20 de janeiro deste ano, Biden retornou ao acordo, em que os países se comprometeram com metas voluntárias para reduzir a emissão de gases causadores do efeito estufa.

Os comentários de Zhao foram feitos pouco antes de o presidente Xi Jinping participar de uma cúpula virtual com a chanceler alemã, Angela Merkel, e com o presidente francês, Emmanuel Macron. Na agenda de Xi não constam encontros com Kerry durante a visita do americano à China, última etapa de uma turnê mundial para negociar compromissos ambientais mais fortes.

O governo Biden tenta novamente transformar os EUA em uma liderança na ação contra a crise global, após os retrocessos durante o governo de seu antecessor.

A Casa Branca deverá anunciar uma meta atualizada para reduzir suas emissões em 50% até o fim desta década, quase o dobro do anteriormente prometido. O cumprimento do objetivo demandaria mudanças drásticas nos setores energético e de transportes, por exemplo.

A expectativa é que o anúncio formal seja feito durante a cúpula da semana que vem, que contará com a presença de vários dos líderes dos países mais poluentes do planeta e de nações menores, especialmente vulneráveis às consequências da crise climática. O objetivo americano é convencê-los a assumir compromissos climáticos mais contundentes antes da COP-26, conferência climática da ONU, que acontecerá em novembro, na Escócia.

Em um comunicado à imprensa emitido pelo governo alemão, Macron e Merkel disseram dar boas-vindas ao compromisso chinês de alcançar a neutralidade na emissão de dióxido de carbono antes de 2060, anunciado no ano passado.

Eles também afirmaram apoiar o plano de Pequim para reduzir suas metas de emissão a curto prazo.  Os três líderes também discutiram a pandemia de coronavírus, o estoque global de vacinas contra a doença, e a relação entre Pequim e a União Europeia, afirmou a porta-voz de Merkel, Ulrike Demmer.

Xi, por sua vez, disse que está disposto a aumentar a cooperação com os países europeus e defendeu maior colaboração internacional no combate à crise climática e à Covid-19, segundo a agência estatal Xinhua. Pequim irá ratificar a emenda Kigali do Protocolo de Montreal, ele disse, um acordo internacional para reduzir gradualmente o consumo e a produção de hidrofluorcarbonetos.

O líder chinês também disse esperar que países desenvolvidos forneçam auxílio financeiro e tecnológico para nações em desenvolvimento na batalha contra o aquecimento global, disse a Xinhua, e que o tópico não deve ser usado como um elemento de barganha geopolítica. / REUTERS E AP

 

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