China critica uigures por protestos que mataram 184

Governo intensifica ataques contra líder da minoria muçulmana; um terço dos mortos são da maioria han

11 de julho de 2009 | 11h38

O governo chinês intensificou neste sábado, 11, os ataques e usou a imprensa estatal para criticar a minoria uigur e a ativista exilada Rebiya Kadeer pela onda de violência que deixou ao menos 184 mortos na cidade de Urumqi, capital da província de Xinjiang. De acordo com dados do governo, três quartos das vítimas são chineses da etnia majoritária Han

 

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A empresária uigur Rebiya Kadeer é acusada de estar por trás dos distúrbios de 5 de julho e de usar provas errôneas em suas condenações a Pequim. Um artigo da agência oficial Xinhua afirmou que Rebiya, de 62 anos e presidente do Congresso Mundial Uigur, "tem um estreito contato com organizações terroristas" e telefonou nos dias anteriores aos distúrbios para o irmão em Xinjiang, advertindo de que "aconteceria algo grande".

 

Segundo o jornal, em suas provas para mostrar a repressão policial de 5 de julho e em dias posteriores, a líder uigur caiu em erros e contradições. Por exemplo, quando mostrou à televisão Al Jazira uma foto com centenas de policiais tomando supostamente as ruas de Urumqi, a agência alega que essa foto circula desde antes de 5 de julho em sites chineses, e embora mostre uma grande mobilização policial, foi tirada em outra cidade chinesa (Shishou), onde há poucos dias houve também graves distúrbios sociais.

 

O Congresso Mundial Uigur e outras associações uigures no exílio, concentradas em países como EUA, Alemanha, Suécia e Turquia, afirmam que os distúrbios são consequência de décadas de discriminação a seu povo, e que neles morreram 800 pessoas. Rebiya afirma que sua organização é de caráter moderado e propõe, principalmente, melhorias sociais para os uigures.

 

A líder tem o apoio de organizações pró-direitos humanos como a Human Rights Watch (HRW), que nas últimas horas lançou um comunicado alertando contra o lançamento de uma possível "caça às bruxas" contra os uigures na China. Fatos como a mobilização de 20 mil efetivos paramilitares em Urumqi "indicam que será lançada uma extensa e politizada campanha contra as comunidades uigures na região, em vez de realizar uma investigação imparcial e objetiva", afirmou a HRW, em Nova York.

 

Segundo o balanço do número de mortos, que pela primeira vez informa a etnia das vítimas, 137 eram chineses han (majoritários no país asiático) e 46 eram uigures muçulmanos. Uma outra vítima era hui, outra etnia de credo islâmico. Do total de mortos, 157 eram homens e 27 mulheres. As autoridades chinesas não detalharam quais dos falecidos morreram em 5 de julho - quando começaram os choques entre forças de segurança e manifestantes uigures, assim como ataques de membros desta etnia contra chineses han - ou em dias posteriores, nos quais houve linchamentos de han a uigures, como vingança.

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