China critica Vaticano por não querer discutir nomeação de bispos

O Ministério de Relações Exteriores da China criticou nesta terça-feira o Vaticano por se negar a discutir a polêmica nomeação de dois bispos chineses na semana passada, acusando Roma de "não ter sido conseqüente no seu desejo de melhorar as relações com a China".O porta-voz da Chancelaria chinesa, Liu Jianchao, afirmou que a Igreja Patriótica Católica Chinesa (única legal no país e que não é subordinada a Roma) tinha notificado a nomeação dos bispos "e não obteve resposta do Vaticano".Mais tarde, lembrou Liu, o Vaticano emitiu duras declarações acusando Pequim de violar a liberdade de culto. Segundo o porta-voz, as críticas prejudicaram o processo de diálogo.Ele destacou que a China "deseja sinceramente melhorar as relações com o Vaticano e quer trabalhar conjuntamente, esperando conseguir a normalização de relações", rompidas em 1951.A fonte oficial lembrou que para o restabelecimento das relações entre os dois países o Vaticano deve romper seus vínculos diplomáticos com Taiwan e garantir que não vai interferir nos assuntos religiosos internos da China.Isso inclui a nomeação de bispos, uma questão espinhosa que, para os analistas, poderia se resolver se ambas as partes decidissem de comum acordo a nomeação de cada bispo das 97 dioceses chinesas. Era o que vinha acontecendo nos últimos meses, com a exceção dos dois bispos da semana passada.A Igreja oficial chinesa consagrou nos dias 30 de abril e 2 de maio, sem autorização do Vaticano, Ma Yinglin e José Liu Xinhong, como bispos de Kunming (província de Yunnan) e Wuhu (província de Anhui), causando um conflito entre Pequim e Roma.No dia 7 de maio, outro bispo, o da cidade de Shenyang, Paul Pei Junmin, foi sagrado. A sua nomeação foi decidida em consenso entre a Santa Sé e Pequim, o que, segundo os analistas, pode servir para suavizar o conflito.O porta-voz chinês aproveitou para lembrar que as leis chinesas garantem a liberdade religiosa a seus cidadãos, "crentes e não crentes". Todas as religiões no país, porém, devem ser controladas por organizações ligadas ao Partido Comunista.

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