China defende envio de cargueiro de armas para o Zimbábue

Pequim afirma que medida é comércio bilateral; EUA tentam impedir que navio descarregue nos portos da região

Agências internacionais,

22 de abril de 2008 | 11h00

O governo chinês defendeu nesta terça-feira, 22, o envio de armas ao Zimbábue, assegurando que a medida é parte de um tratado comercial bilateral. Os Estados Unidos afirmaram que estão em contato com governos africanos para impedir que o cargueiro, carregado com mais de 77 toneladas de armas, desembarque. O navio, que não vou descarregado ao ancorar na África do Sul e em Moçambique, deve seguir para a Angola, com uma possível parada para abastecimento na Namíbia. Cópias dos documentos do navio chinês, o An Yue Jiang, mostram que as armas foram enviadas de Pequim para o ministro da defesa em Harare, capital do Zimbábue. A documentação foi expedida no dia 1 de abril, três dias depois das eleições no país africano. O governo sul-africano afirma que não pode intervir na situação, pois não há embargo da ONU sobre o envio de armas para o Zimbábue e toda a documentação do navio está em ordem. A secretária de Estado Adjunta para os Assuntos Africanos, Jendayi Frazer, planeja visitar a região nesta semana para manifestar a preocupação americana com a carga. Frazer deve ainda tentar persuadir os vizinhos do Zimbábue a pressionar o governo do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, a divulgar os resultados da eleições presidencial de 29 de março, que a oposição afirma ter sido a vencedora. Serviços de inteligência americano estão rastreando o navio, e americanos pressionarão pelo menos quatro nações africanas - África do Sul, Moçambique, Namíbia e Angola - a não descarregarem o barco. "É normal o comércio de produtos militares entre dois países", justificou o porta-voz do Ministério de Relações Exteriores chinês, Jiang Yu, pedindo ainda que não se "politize" a questão. "O contrato foi firmado no ano passado e não há relação com a atual situação no país", adiantou. O barco leva 3 milhões de cartuchos de munição AK-47, 1.500 granadas e mais de 3 mil morteiros, segundo um inventário publicado em um jornal sul-africano. Mugabe defende o seu direito de comprar armas. "É nosso direito soberano de defesa. É nosso direito soberano comprar armas de forma legítima e não necessitamos da autorização de ninguém", disse o ministro da Justiça Patrick Chinamasa. Apesar das críticas internacionais, o governo chinês tem sido um grande apoiador do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, e seu regime autoritário, fornecendo aviões, veículos militares e armas. A China também é acusada de ter vendido equipamentos para impedir que estações de rádio independentes de transmitam informações que contradigam a mídia oficial. Além disso, o país usou seu poder de veto no Conselho de Segurança da ONU para evitar que a questão da crise Zimbábue fosse levantada.

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