China defende gastos militares

Pequim critica os EUA por venda de armas a Taiwan

Cláudia Trevisan, PEQUIM, O Estadao de S.Paulo

21 de janeiro de 2009 | 00h00

Horas antes da posse do presidente Barack Obama, a China fez uma enfática defesa do aumento de seus gastos militares e atacou os americanos por sua política de venda de armas a Taiwan, em um forte indício de que a questão militar continuará a ser um dos principais fatores de tensão entre os dois países na gestão do democrata. Em um documento de 95 páginas, autoridades de Pequim ressaltaram que o risco de independência de Taiwan e movimentos separatistas no Tibete e na província de maioria muçulmana de Xinjiang são ameaças à segurança e à unidade da China, justificando os investimentos dos últimos anos para modernização das Forças Armadas. No ano passado, o orçamento militar chinês teve um aumento de 18% em relação a 2007, chegando a US$ 60 bilhões. Ainda assim, a cifra está distante dos US$ 450 bilhões dos americanos. A China tem a maior força militar do mundo, com um efetivo de 2,3 milhões. O Pentágono sustenta que os gastos reais são o triplo do reconhecido oficialmente e afirma que o investimento chinês em defesa é uma ameaça à estabilidade da região. Na visão de Washington, a China não enfrenta ameaças externas que justifiquem o fortalecimento militar. No entanto, o documento divulgado ontem por Pequim alega que a China é alvo de "manobras estratégicas" do exterior que teriam o objetivo de conter sua expansão. O maior foco de tensão com os EUA é a ilha de Taiwan, que a China considera parte de seu território. Apesar de adotar o princípio de "uma só China", Washington tem o compromisso de defender a ilha de agressões externas e é o principal fornecedor de armas para seu governo. No ano passado, os dois lados fecharam um contrato de US$ 6,5 bilhões para venda de equipamentos militares, incluindo mísseis Patriot III e helicópteros Apache. Os chineses sustentam que os EUA reforçaram sua presença militar na região da Ásia e do Pacífico por meio da consolidação de alianças, de ajustes no deslocamento de tropas e do aperfeiçoamento das atividades militares. Além de Taiwan, as autoridades de Pequim se veem cercadas por aliados americanos, como Coreia do Sul, Japão e Índia. Apesar das hostilidades, o porta-voz do Ministério da Defesa Nacional, Hu Changming, conclamou Washington a "remover obstáculos" e a "criar condições favoráveis para relações militares saudáveis" entre os dois países.

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