China demite líder envolvido em escândalo sexual

Imagens foram registradas em vídeo supostamente gravado em 2007; parceira de funcionário do PC teria 18 anos na época

PEQUIM, O Estado de S.Paulo

24 de novembro de 2012 | 02h05

Mais um escândalo envolvendo um membro de alto escalão do Partido Comunista chinês resultou na destituição do funcionário do cargo, a exemplo do que ocorreu, em março, com o político Bo Xilai, ex-chefe da megacidade de Chongqing. O governo da China demitiu ontem um líder distrital do PC depois que imagens dele fazendo sexo com uma amante foram divulgadas na internet.

O caso evidencia a influência em território chinês da crescente comunidade de microblogs e redes sociais, além da sensibilidade do partido único e sua prontificação em responder à indignação pública contra abuso de poder, impunidade institucionalizada e corrupção.

Imagens retiradas do vídeo de sexo foram postadas primeiramente no microblog Weibo - versão chinesa do Twitter - na terça-feira. Lei Zhengfu, chefe do PC no distrito de Beibei, em Chongqing, foi demitido após uma investigação do setor de disciplina do partido confirmar que era ele o homem que aparecia nos frames, de acordo com informações da agência de notícias estatal Xinhua.

Um usuário do Weibo identificado como Ji Xuguang, que afirma ser um repórter investigativo, foi o primeiro a divulgar as imagens, que mostram um homem maduro fazendo sexo com uma mulher mais nova, que o "jornalista" afirmou ser a amante de 18 anos do dirigente do PC, na época do registro do vídeo.

A imprensa oficial chinesa afirmou que, anteriormente, Lei havia negado a veracidade das imagens, afirmando que não era ele a pessoa retratada no vídeo, que teria sido gravado em 2007. Conduta sexual "imprópria" é considerada um delito entre os membros do partido único chinês, passível de ser punido com destituição do cargo e outros tipos de sanções.

O PC tem intensificado sua retórica contra a corrupção para conter a indignação dos chineses contra relatos de subornos e libertinagem - entre outras denúncias - que envolvem seus funcionários postados regularmente na internet. Mas o discurso tem surtido pouco efeito.

Para tentar controlar o uso de redes sociais como meios de propagação de informações consideradas "sensíveis", Pequim bloqueou o Twitter e o Facebook no país, criando redes próprias para os chineses. O Weibo foi lançado em 2009 e tem mais de 420 milhões usuários. Usado tanto por cidadãos comuns quanto pelos veículos estatais, o serviço opera em sintonia direta com os mecanismos de censura online.

As denúncias, porém, continuam na internet. Em setembro, Yang Dacai, funcionário do PC em Shaanxi, foi demitido após internautas postarem fotos dos inúmeros relógios caros que ele possuiria.

No mês passado, Cai Bin, funcionário de Guangdong, perdeu o cargo após imagens de 22 casas atribuídas a ele serem divulgadas online. / REUTERS

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