China denuncia plano dos EUA para vender armas a Taiwan

A comercialização por um valor próximo a US$ 6,5 bilhões prejudica "seriamente" as relações bilaterais

PEQUIM

05 de outubro de 2008 | 02h27

A China denunciou a decisão do Governo americano de vender armas a Taiwan por um valor próximo a US$ 6,5 bilhões que prejudica "seriamente" as relações bilaterais e anunciou que se reserva "o direito de adotar medidas" perante este plano. Segundo informou neste domingo a agência oficial de notícias chinesa, "Xinhua", Pequim explicou que na sexta-feira passada Washington notificou o Congresso americano sua intenção de vender armas a Taiwan, entre as quais se incluem sistemas antimísseis "Patriot III" e helicópteros "Apache". O porta-voz de turno do Ministério chinês de Assuntos Exteriores, Liu Jianchao, destacou a "firme oposição" de Pequim ao plano de Washington, assim como o "sério" revés que as relações sino-americanas sofrem com ele. Liu destacou que a decisão adotada por Washington viola severamente os princípios dos comunicados assinados entre China e EUA em agosto de 1982 sobre a venda de armas a Taiwan, interfere em extremo nos assuntos internos do gigante asiático, põe em perigo a segurança nacional da China e obstaculiza o desenvolvimento pacífico das relações entre Pequim e Taipé. "É natural que um movimento assim desperte uma grande indignação no Governo e povo chinês", acrescentou Liu, advertindo "severamente" Washington que "só há uma China no mundo e Taiwan faz parte dela." Acrescentou que os EUA deveriam cumprir seu compromisso de respeitar a política de uma só China e opor-se "à chamada independência taiuanesa", e sustentou que ninguém poderá evitar que o Governo e o povo chinês rejeitem as interferências externas. Destacou que os EUA deveriam adotar ações imediatas para solucionar este erro, cancelar o plano de venda de armas e abandonar seus laços militares com Taiwan para evitar que as relações sino-americanas sofram danos maiores. Por sua parte, o porta-voz do Ministério de Defesa chinês, Hu Changming, se expressou em termos similares e disse que a decisão de Washington envenena indubitavelmente a atmosfera das relações militares entre China e EUA e gera sérios problemas para os intercâmbios futuros entre ambos os exércitos. De acordo com Hu, a decisão de Washington viola o consenso alcançado pelos máximos líderes da China e EUA, Hu Jintao e George W. Bush, respectivamente, sobre as relações sino-americanas e prova que os EUA fracassaram na hora de manter a promessa realizada com os comunicados de agosto de 1982. Tanto Hu como Liu anteciparam que a China se reserva "o direito de adotar medidas" perante o plano de Washington.

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